Acelera, São Paulo!

Homenagem do grupo Pedala Itaquera.

No dia 25/07, mais um ciclista foi morto na cidade de São Paulo. Vítima de atropelamento, Reinaldo Aparecido da Silva, não resistiu e faleceu após ser atingido por um veículo na Avenida Radial Leste.

O Prefeito dos automóveis, das construtoras e das empresas farmacêuticas (nunca o prefeito do povo), vem impondo um ritmo frenético de aceleração na Capital, deixando atrás de si um rastro de morte, dor e sofrimento. Doria que se elegeu prometendo o aumento de velocidade, não perdeu tempo e no começo de janeiro aumentou a velocidade das marginais.

De pronto, ciclistas que sentiam o perigo que estava por vir, questionaram sua atitude na Justiça, de nada adiantou.  Talvez, movido pela raiva que tal atitude lhe causou ou pelo senso comum das elites paulistanas – que se escondem atrás de suas gigantescas SUVs blindadas – de que as ciclovias são coisa do PT e andar de bicicleta é coisa de comunista, João Doria afirmou peremptoriamente que a pequena malha cicloviária da cidade precisava passar por um processo de “readequação”, ou seja, em tradução livre da novilíngua Doriana: as ciclovias precisavam ser removidas. De fato, foi o que se seguiu e, na calada da noite, sem discussão popular prévia, arbitrariamente, ciclovias e ciclofaixas foram apagadas pela “gestão” municipal.

João Doria se irrita e atira flores em homenagem à ciclistas mortos.

As consequências não demoraram a vir, se no primeiro semestre de 2016, 12 ciclistas faleceram em razão de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo, no primeiro semestre de Doria Junior à frente da Prefeitura, 21 ciclistas deixaram suas vidas no asfalto da capital. O aumento das velocidades máximas permitidas em algumas vias, a remoção de ciclovias e ciclofaixas e a legitimação do discurso de ódio a tudo aquilo que ouse invadir o sagrado espaço dos automóveis, foram fatores determinantes para o aumento de 75% do número de ciclistas mortos em decorrência de acidentes de trânsito.

Enganam-se aqueles que creem que os ciclistas são as únicas vítimas da compulsiva necessidade de velocidade da elite paulistana, os pedestres também morreram mais, precisamente, 23% mais do que no período englobado entre Janeiro e junho de 2017 em comparação com o ano passado.

Precisamos lutar contra os retrocessos que a gestão de Doria impõe à população de São Paulo, a cidade deve ser pensada pela e para as pessoas, privilegiando-se os meios coletivos de transporte e os individuais não motores. Queremos uma cidade mais humana, que atenda aos anseios da população por mobilidade e por segurança ao optar pela bicicleta como meio de transporte.

O espaço urbano deve ser concebido tendo como prioridade máxima os seres humanos, não os automóveis.

Enquanto isso a gestão de Joao Doria Junior acelera no rumo contrário, apagando o vermelho das ciclovias e deixando para trás o rastro vermelho do sangue de pedestres e ciclistas.

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