João Dória: o prefeito que o mercado imobiliário queria

João Dória Jr. já mostrou que sua prioridade no momento é a questão da Cracolândia, não na recuperação dos moradores da região, mas na “limpeza” da região para favorecer o mercado imobiliário.  A última demonstração de que o foco da prefeitura de São Paulo é esse foi a campanha lançada no último final de semana. A peça publicitária, cujo slogan é “Crack. A melhor saída é nunca entrar”, joga a responsabilidade para cima do dependente químico.  

O vídeo, cheio de estereótipos, mostra o antes e o depois de um homem que usou crack. Primeiro, fotografias do rapaz com sua família e, depois de usar a droga, ele como um morador da Cracolândia. Em nenhum momento do vídeo se fala em questão de saúde pública, o objetivo é justamente tirar qualquer culpa do Estado com relação aos dependentes químicos.

A questão é que os moradores da Cracolândia não estão lá apenas por conta da droga, mas por miséria e descaso do Estado.  Mas, novamente, não é com o usuário que a Prefeitura está preocupada. O abandono e repressão não são exclusividades de Dória. Desde a década de 90, quando a concentração de moradores de rua na região passou a aumentar, prefeitos e governadores utilizam a polícia no local. A diferença é que o prefeito atual tem um projeto higienista forte e conta com apoio da elite paulistana para agir desta maneira.

A região da Luz, onde está situada a Cracolândia, é, há tempos, visada pela especulação imobiliária e o prefeito Dória fará de tudo para favorecer isso. Assim que assumiu a prefeitura, anunciou o fim do Braços Abertos, criado na gestão Haddad e elogiado pelas Nações Unidas, mostrando seu descaso com os dependentes químicos. Em abril, quando demitiu a secretária de Desenvolvimento e Assistência Social, Soninha Francine, que havia criticado uma das ações na Cracolândia, Dória disse que queria alguém mais forte ao seu lado. 

Desde maio, o prefeito tem realizado, de maneira mais frequente, violentas ações, com respaldo do governador Geraldo Alckmin, internações à força, e até demolição de prédios com pessoas dentro. Outra ação da prefeitura é pagar passagens para os moradores de rua voltarem a suas cidades de origem. O objetivo é dispersar, de qualquer maneira, os usuários da região central e entrega-la à iniciativa privada. O programa Redenção, que daria lugar ao anterior, até o momento, não foi colocado em prática. Qualquer justificativa dos abusos policiais não passa do já conhecido discurso de marketing do prefeito, na tentativa de conquistar apoio da população para continuar com essa ação.

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