40 anos de PDT. Tá, mas e daí?

Com esse título provocativo, parece que estou fazendo pouco caso com a data, mas é o contrário. Seria muito repetitivo falar da história do PDT nesse artigo. Fiz isso de maneira mais detalhada quando abordei a importância de Carlos Lupi para o Trabalhismo, dias atrás.

Todos sabemos que a sigla PDT foi a saída que os trabalhistas tiveram quando a Justiça, ainda sob a Ditadura que golpeou o Trabalhismo em 64, nos tirou a legenda do velho PTB de Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola e Darcy Ribeiro.

Ou seja, nossa história de luta pelo Brasil e nossa organização partidária tem muito mais que 4 décadas.

Mas nesse 26 de maio de 2020, completando 40 anos de PDT, quero falar sobre nosso futuro.

Os sindicatos estão sem estrutura, os movimentos pela reforma agrária cada vez mais ameaçados, o sistema financeiro drenando nossas riquezas para o estrangeiro, inclusive concentrando a renda dos brasileiros.

Produto disso, perdemos nossa soberania nacional e produzimos cada vez mais pobres, miseráveis e bilionários.

Então o desejo e a tarefa para os próximos 40 anos está na nossa razão de ser: a incansável luta ampla, porém sem perder o conteúdo e a coragem de assumir a postura anti-imperialista e popular.

A tragédia da esquerda brasileira está na falta de compreensão de um projeto nacional. Bom, nessa melhoramos: voltamos a discutir com clareza no Projeto Nacional de Desenvolvimento casado com a tradição socialista do Trabalhismo. Mas o projeto não pode ser só um papel, um conjunto de ideias. Uma ideia torna-se uma força material quando ganha as massas organizadas, dizia o velho Marx.

Se temos ideia – que precisa ser sempre aperfeiçoada com o andar da prática -, devemos dar o exemplo com nossas principais gestões, de hoje e do passado. Não devemos ter medo de falar das gestões de Brizola, de Getúlio Vargas, Alceu Collares, Jackson Lago, assim como precisamos divulgar as gestões atuais de Niterói, Fortaleza, São Luís e por aí vai. A marca trabalhista de gestão é um passo para a divulgar nosso exemplo.

E a militância é o que precisamos cuidar. A formação política, teoria e prática, precisa vir com um pensamento contra a hegemonia liberal. Isso vai da concepção das instituições até sobre o modelo de organização. Precisamos organizar a luta popular. Esse luta não pode cair em moralismos, fisicalismos, ocidentalismos e democratismos que desconhecem a democracia social.

Além disso, investir pesadamente na alocação dos nossos militantes no meio sindical, bem como nas academias militares Brasil a fora.

A minha geração, que assumirá o partido para mais 40 anos de glórias e lutas, precisa perder o pudor da disputa política.

Derrotada é a organização política que tira do seu vocabulário interno a amplitude e a radicalidade. Sejamos radicalmente amplos e amplamente radicais.

Só assim poderemos honrar a sigla que tanto tenho orgulho de pertencer.

“A função de um partido não deve ser cultivar a história, mas fazê-la” – Alberto Pasqualini

40 anos de PDT. Tá, mas e daí

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