Bolsonarismo – o bagaço cuspido pela boca do imperialismo

Depois de conspirarem e serem protagonistas no ocaso da experiência socialista, popular e nacionalista do trabalhismo, a turma do Golbery acabou praticamente alijada do poder em razão do “golpe no golpe” que botou meu xará, Costa e Silva, na Presidência. Quando voltaram por meio das artimanhas dos irmãos Geisel, encontraram uma nova situação internacional causada pela crise do Petróleo. Golbery, grande ideólogo da submissão aos EUA, viu-se mastigado e cuspido como um bagaço de laranja usado pelo novo pessoal da “esquerda cool” do Jimmy Carter (governo no qual Biden teve papel), que se aproveitou da retórica de direitos humanos para destruir nossa indústria com o choque de juros. Então, Golbery e Geisel tentaram fazer uma política internacional e industrial altiva. Foi nosso último suspiro de soberania, mas seus esforços foram em vão. Eventualmente, a burguesia transnacional e sua tecnocracia de paletós foram isolando as Forças Armadas do poder. Como dizia o velho caudilho, “a política ama a traição mas odeia o traidor”. Golbery e sua trupe pagaram por sua traição ao Brasil em 1964.

A história não se repete, e, se repetisse, seria primeiro como tragédia e depois como farsa. Bolsonaro agora é o bagaço cuspido de uma burguesia estadunidense em franca decadência e numa briga fratricida entre uma ala mais cosmopolita e outra que depende do mercado interno e dos gastos do complexo militar imperial. Nosso governo colonial não passa de um pequeno peão nas mãos de uma poderosa plutocracia que nesse exato instante está em guerra civil. Contudo, ao contrário da dupla Geisel-Golbery, Bolsonaro e sua milícia nada fizeram pela soberania nacional, estraçalhando a Petrobras, abrindo vergonhosamente nosso mercado de licitações, entregando a Embraer e toda uma série de medidas que só pode ser classificada como a mais vil submissão colonial. A farsa da tragédia pseudo nacionalista da camarilha de Golbery.

Ser dependente é existir em função dos países centrais, na formulação de Theotônio dos Santos. Os EUA possuem um projeto de poder contínuo sobre a América Latina, a despeito das flutuações conjunturais das lutas internas de sua elite. Daí que o imperialismo estadunidense assume uma forma pendular, variando em sua forma, mas jamais deixando de nos esmagar e nos manter prostrados. Para Kennedy ou Nixon, Bush ou Obama, Trump ou Biden somos pouco mais do que apêndices de seus jogos de poder.

A retórica e as ações de Bolsonaro nada têm de nacionalista. Sacrifica nossa Pátria no altar de uma luta interna de uma elite que nos vê como nada além de um ativo para ser manipulado em seus conflitos. Como os romanos que dividiam entre si as províncias, pensando nos destinos de Roma.

É absolutamente humilhante ser tratado como cavalo de guerra alheio.

P.S.: Ainda não vi ninguém defendendo Joe Biden e, se eu ver, vou tretar pesadamente. Porque esse verme imperialista acaba de ameaçar a soberania sobre a NOSSA AMAZÔNIA e isso não pode ser tolerado. Se Bolsonaro tem alguma culpa é a de ser um peão colonial nas mãos de quem odeia nossa pele morena.

Bolsonarismo – o bagaço cuspido pela boca do imperialismo

Deixe uma resposta