Brasil Campeão da América. É Pouco.

O blogueiro do UOL Menon defendeu a saída de Tite da seleção com o argumento de que qualquer treinador da série A teria alcançado o mesmo resultado na Copa do Mundo treinando o Brasil. Eu vou além, qualquer brasileiro razoavelmente entendido de futebol seria capaz de comandar a seleção para pelo menos empatar com a Suíça e vencer Costa Rica, Sérvia e México.

E sob esse prisma, qual teria sido a grande contribuição tática na conquista de hoje a justificar a manutenção do atual ciclo pela CBF?

Primeiro, Tite treinou essa Copa para si. Encheu o time de jogadores de sua confiança, mesmo que com pouca chance de chegar à próxima Copa do Mundo. Buscava garantir o empregou ou ao menos preencher seu currículo com um troféu.

Uma das grandes novidades, Cebolinha, foi fruto do acaso – o escândalo/lesão de Neymar -. A outra – Jesus flutuando no ataque – gerada por sua teimosia, preferindo improvisar um velho conhecido do que abrir passagem para os mais jovens do banco.

Mas nenhuma das duas supre a grave deficiência do esquema atual do Brasil. Na competição o Brasil atacou sempre com duas linhas de 4: Filipe Luis (ou Alex Sandro)/Casemiro/Arthur/Daniel Alves na faixa do meio campo e Cebolinha/Firmino/Coutinho/Jesus na grande área do adversário.

Essas linhas, não possuem comunicação orgânica, quase sempre dependendo de um passe longo (como o de Daniel Alves que iniciou o primeiro gol de hoje). Em algumas partidas, lances individuais as aproximaram, a exemplo da sequência de dribles do mesmo Daniel Alves contra a Argentina ou a corrida de Arthur no segundo gol da final. Mas são lances por enquanto raros, incapazes de produzir constância ofensiva.

A solução talvez passe por um novo posicionamento de Neymar, no comando do ataque ou recuado como 10. Mas é preciso coragem para colocar o craque para atuar de forma coletiva.

Fato é que a conquista continental tem de ser usada para garantir ao processo de renovação que se inicia, renovando o elenco e suprindo esse grave defeito que hoje nos impossibilita de retornar ao topo do mundo.

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