O charlatanismo filosófico de Marcos Lisboa

Não é hilário que os liberais brasucas utilizem o Blondie Devil como uma espécie de oráculo para qualquer assunto?

Quando ele se mete a falar de filosofia, só sai besteirol. No caso abaixo, é charlatanismo feito na base da “lacração” que ele tanto condena — nos outros, é claro — , no intuito de incutir uma sensação de injustiça artificial no coraçãozinho do gado liberal: “nossa, não ensinam iluminismo escocês, realmente não gostamos de liberalismo aqui no país, né? Por isto o Brasil não vai pra frente”. É o mesmo procedimento vitimista que condenam no outros mas utilizam com frequência para lidar com a história de sua própria ideologia — sério, quantas vezes você não leu ou ouviu esse papo sobre a falta de liberalismo no Brasil?

O charlatanismo filosófico de Marcos Lisboa insper

Acontece que não precisa possuir nenhuma cultura filosófica muito elevada para saber que é impossível entender Kant, onipresente em qualquer curso de filosofia, sem conhecer David Hume e o empirismo britânico. É justamente a partir do ceticismo epistemológico do escocês que o prussiano sairá de seu “sono dogmático” e elaborará todo seu sistema crítico à metafísica clássica. É um tema tão básico e conhecido que me sinto até idiota de escrever sobre.

Se quisermos pegar um nome mais contemporâneo e descoladinho que o piedoso Kant, falemos de uma referência incontornável da radical e chique “teoria francesa”: Gilles Deleuze. David Hume é, novamente, referência enorme para o pensamento do francês, que, aliás, dedicou um grande livro de interpretação ao liberal supostamente ausente do ensino da filosofia.

Onde estão as tão citadas “evidências” para balizar este chororô, Lisboa?

A cereja do bolo é chamar esse iluminismo liberal britânico de “pragmatismo”, uma corrente filosófica dos EUA da metade do século XIX. Talvez queira se referir ao utilitarismo? Estaria errado, ainda assim, mas passaria mais perto na geografia e no tempo.

Resumindo de modo curto e grosso: nas suas opiniões sobre filosofia, o chefão do Insper fica a dever para um colegial com conhecimento de almanaque, além de se fazer mais de coitado que muito esquerdista “lacrador”, um espantalho tão criticado por ele.

O charlatanismo filosófico de Marcos Lisboa

1 Comentário

  • “(…) não atoa que era amigo do Adam Smith (…)”

    O Marcos Lisboa, pelo visto, é tão liberal que se permite até a certas heterodoxias linguísticas pelo visto. Não bastasse a deliberadamente equivocada ponte entre Adam Smith e “pragmatismo”, vai ver, talvez o próprio Lisboa seja um exemplo da “Pátria Educadora”. Eu acho inadmissível que alguém diplomado escreva desta maneira típica de jovem twitteiro, e sendo um farsante “economista” como o Lisboa, tal inadmissibilidade é ainda maior.

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