A COVID-19 e os abutres do futebol

Primeiramente, ressalta-se que este texto não tem a pretensão de analisar os aspectos médicos e sanitários do coronavírus.

Não se discute que o isolamento social é a única arma efetiva que se tem para o combate desta nova doença que assola tão fortemente o sofrido povo brasileiro. O isolamento social, a quarentena e o lockdown são medidas necessárias à sobrevivência.

Em meio a este cenário, as confederações  tomaram – ainda em março – a correta medida de suspensão indeterminada dos Campeonatos de Futebol. Entretanto, não se pode deixar de questionar quando, como e se os campeonatos voltarão.

Neste cenário, a Federação francesa entendeu por bem encerrar antecipadamente o francesão, declarando como campeão  o Paris Saint-German. Mais acertada se mostra a decisão da Federação Holandesa que pôs fim ao campeonato nacional sem que se declarasse o Ajax campeão e sem rebaixamentos.

No Brasil, a forte pressão bolsonarista pela volta dos campeonatos, ao menos por enquanto, não surte efeito. Contudo, as federações estaduais permanecem negociando com a CBF a volta dos campeonatos estaduais, o que a esta altura do ano, é uma utopia. Não há calendário, não há vontade.

Há, somente, duas certezas: uma hora a bola vai voltar a rolar e as arquibancadas estarão vazias. Mas, vazias até quando?

Uma vez mais a Holanda se antecipa e diz que lá os jogos só voltarão a ter público quando surgir uma vacina contra a malfadada COVID-19. As arquibancadas estão longe de voltarem a ter público, portanto.

Decisão triste, sofrida, mas necessária.  Ainda mais agora que se sabe que um jogo de futebol foi uma das causas do rápido espalhamento da doença em Bergamo, na Itália.

Contudo, não se pode negar que a volta da torcida aos campos no tão anunciado “novo mundo pós-Coronavírus” será repleta de restrições: menor ocupação dos estádios, maior distanciamento físico entre torcedores, por exemplo.

Cenário que é o desejado há tempos por emissoras de televisão e federações no Brasil, uma vez que a audiência irá aumentar exponencialmente, as federações e os clubes poderão lucrar mais com patrocínios e venda de transmissões. Tudo isso sem ter o custo de impor as restrições, uma vez que serão impostas por necessárias medidas sanitárias.

Fica o alerta para quando passar a pandemia, não deixemos as restrições (tão necessárias agora) permanecerem indefinidamente, roubando o futebol do povo e o entregando nas mãos da vênus platinada.

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