Damares tem uma estratégia, ao contrário da classe média umbigocêntrica

Os progressistas da classe média umbigocêntrica não perdem uma chance de passar vexame. Comparada a eles, Damares é uma sumidade de estratégia política.

Primeiro, é absolutamente normal, saudável e civilizatório recomendar a pessoas de 11, 12, 13, 14 anos que esperem um tempo para manterem relações sexuais, pelo menos até encontrarem alguém de quem realmente gostem e com quem valha a pena dividirem carícias e fluidos (sim, isso importa, ninguém é um robô, corpo e alma formam uma unidade). Não há nada de retrógrado e abusivo nisso, pelo contrário. Retrógrado e abusivo é o pai e o tio do menino dessa idade o levarem a um prostíbulo. Retrógrado e abusivo é a menina dessa idade ser obrigada a aceitar um relacionamento com um homem mais velho para com 14, 15 anos já sair de casa.

Além disso, Damares não está falando para o público de classe média, cujas experiências sociais (inclusive afetivas) geralmente ocorrem em ambientes hipercontrolados. Está falando para um público mais pobre e aviltado onde é comum meninas púberes ou pré-púberes serem “arrochadas” em fila em bailes funk ou terem que “dividir” o minúsculo e insalubre cômodo de dormir com o padrasto, os meio-irmãos, o primo que acabou de sair do presídio. Para essas meninas, poder “escolher esperar” até achar alguém que amem é emancipador, “empoderador” por assim dizer. A esquerda, que diz defender o povo, deveria entender isso.

É claro que essas questões não serão resolvidas com uma simples campanha moralizadora, que tende a cair no descrédito pela incompreensão da classe média umbigocêntrica. Precisaria de políticas habitacionais, educacionais, de desenvolvimento e emancipação coletiva sérias. Nada disso o Bolsonaro vai oferecer, muito pelo contrário. Mas também os progressistas em geral não defendem nada disso. Se os progressistas não podem ajudar, melhor se calarem.

Depois de defenderem o assalto (Marcia Tiburi), a “dosagem segura” do crack (Freixo) e agora a sexualização de pré-adolescentes, não será de se espantar que em pouco tempo sejam colocados na cadeia com o aplauso – justificado – do mesmo povo que pensam erroneamente defender.

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