Edir Macedo, Bolsonaro e o neoimperialismo moral da Igreja Universal em Angola

Deixa eu contar pra vocês uma história. O bispo Edir Macedo e sua Igreja Universal há algum tempo (quase 30 anos) começaram a fazer aquelas coisas que chamávamos de missões no Brasil colônia, só que nos países de língua portuguesa na África. Até aí, cada um com o seu corre religioso, com a sua crença. Não fosse apenas uma igreja qualquer entrando em um país para tentar convencer as pessoas a se converterem a sua crença, a discussão se daria em outro tom.

Mas a Universal não é uma igreja qualquer. Nós aqui no Brasil conhecemos bem os seus métodos. Se há pouco tempo atrás essa era uma igreja que fazia vídeos de jovens candidatos a pastores no exterior marchando e dizendo que estão “prontos para a batalha”, em Angola, Moçambique, San Tomé & Príncipe, Guiana, Cabo Verde e demais países aonde a Universal se colocou esse radicalismo não foi diferente. Nesses países, contudo, foi e está sendo muito pior.

Depois de quase 30 anos de uma Universal brasileira em Angola, porque os pastores angolanos convertidos não podem, por exemplo, influir nos rumos da igreja em seu próprio país, o que temos agora é uma denúncia que, por não ser aceita por Macedo, tem escalado para uma disputa sobre os rumos da Universal no país.

As exigências dos pastores angolanos e suas denúncias mostram bem o nível de gangsterismo e colonialismo imposto pelos pastores brasileiros ligados a Edir na gestão da Universal no país:

1. A ESTERILIZAÇÃO
A começar pelo fato de que se você é um pastor ou Bispo angolano da Universal você não pode ter mais do que dois filhos por imposição da igreja, o que é proibido segundo a Constituição da Republica de Angola. Se você é um angolano seguidor da Universal e tem dois filhos, você e seu ou sua parceira serão submetidos ao processo de esterelização pela igreja.

2. RACISMO
Crimes de racismo eram cometidos com freqüência pela gestão Brasileira. Pastores angolanos, inclusive, muitas vezes eram obrigados a falar com um sotaque mais “brasileiro”, o que, segundo os pastores brasileiros estaria próximo do sotaque carioca.

3. A CORRUPÇÃO
As denúncias de corrupção, o que sabemos que é muito cabível tratando-se de uma igreja como a Universal, são várias, assim como a corrupção dos líderes brasileiros.

4. AS METAS
Os pastores e fiéis tem metas absurdas de doações a serem batidas para conseguirem subir na hierarquia da igreja. Se não batem as metas, que são altíssimas são escanteados.

5. O SAQUE COLONIAL
Todo o seu caixa das doações é mandado de Angola para o Brasil e depois do Brasil para os EUA para só então uma parcela muito pequena das doações ser redistribuída novamente para Angola.

6. DA GESTÃO
Pastores angolanos não podem influir nos rumos da Universal em Angola. Todos os líderes da igreja no país precisam ser brasileiros, de acordo ao estatuto da igreja universal Angola é uma propriedade dos Angolanos.

Essas são só algumas das denúncias das várias que vem ocorrendo contra a gestão brasileira da Universal em Angola. Essas e outras denúncias foram feitas internamente pelos pastores e fiéis angolanos aos líderes brasileiros em um manifesto no mês de novembro do ano passado. O resultado? Todos os envolvidos nas críticas foram excomungados e expulsos da Universal. Em suas próprias palavras, Edir Macedo disse que não negociaria com esses que ele chamou de “diabólicos” por criticarem os rumos da Universal em Angola.

Desde então, iniciou-se um processo do que os pastores angolanos vem chamando de “reforma”, numa verdadeira alusão à reforma protestante de Martinho Lutero contra a Igreja Católica e a disputa começou a se acirrar.

Se já não bastassem todos os absurdos de um conflito como esse, os pastores brasileiros passaram a alimentar um racismo descarado tentando a todo modo colocar o problema da Universal em Angola como um problema de todos os angolanos e não apenas de sua instituição.

O resultado disso foram as reportagens criminosas da TV Record tentando de todo modo culpar o Estado de Angola dos conflitos criados por sua própria igreja em outro país. Junto com a Record, a rede de fake news ligada a Universal e ao bolsonarismo das igrejas passou a alimentar a discórdia contra os angolanos. Carlos Bolsonaro, que como todos sabemos é um recém-chegado ao PRB de Edir Macedo, chegou a falar sobre o assunto no Twitter incitando a xenofobia contra Angolanos.

Com a escalada do conflito entre pastores brasileiros e angolanos da Universal em Angola, os pastores brasileiros em Angola chegaram a contratar 16 pistoleiros, que foram presos e assumiram que foram contratados por um pastor brasileiro da Universal de Edir em Angola para matar os pastores angolanos envolvidos na disputa.

Edir Macedo, Bolsonaro e o neoimperialismo moral da Igreja Universal em Angola

Com a prisão desse pastor brasileiro mandante dos crimes de assassinato à oposição da Universal em Angola, Edir Macedo colocou então seu assecla mor na Presidência da República para entrar no conflito e tentar impor um rompimento das relações diplomáticas entre Brasil e Angola (que sempre foram excelentes, diga-se de passagem, basta lembrar que foi em plena ditadura militar, com Geisel, que o Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola).

Na semana passada, Bolsonaro escalou o Itamaraty e o indigesto Ernesto Araújo para levar uma comitiva de deputados e senadores bolsonaristas à Angola para tentar pressioar o governo angolano a não só soltar o pastor brasileiro mandante dos crimes contra angolanos em seu próprio território como também a fazer com que a Reforma da Universal fosse freada pela polícia angolana e seus líderes fossem todos presos, é necessário lembrar que a constituicao da Republica de Angola em seu Artigo 10.º (Estado laico)

1. A República de Angola é um Estado laico, havendo separação entre o Estado e as igrejas, nos termos da lei.

2. O Estado reconhece e respeita as diferentes confissões religiosas, as quais são livres na sua organização e no exercício das suas atividades, desde que as mesmas se conformem à Constituição e às leis da República de Angola.

Depois da prisão desse pastor, Bolsonaro se pronunciou falando que os brasileiros precisavam ser protegidos. Carlos Bolsonaro então atacou Angola falando que eles “não são civilizados”. Um dos líderes da Universal brasileira em Angola chegou ao absurdo dizer que preferiria a morte a sic “entregar a liderança da igreja a esses pretos”. Em um vídeo na Record, Edir Macedo chega a incitar uma guerra santa falando que todos os opositores serão mortos pelo seu “bom Deus”. E a máquina de ódio bolsonarista ligada a todo o vapor.

Ainda não sabemos para onde esse conflito vai andar, mas o que precisamos deixar muito claro é que a Universal e Edir Macedo estão agindo como donos de uma multinacional aos moldes imperialistas, incitando o ódio e a guerra contra todo um povo para que se façam valer seus interesses corporativos. Eu traçaria um paralelo com as guerras do Iraque e Afeganistão, mas o que está em jogo parece mais um resgate da era colonial do século XVI e aquilo que abriu espaço para o que se convencionou chamar de “empresas”.

E muito mais necessária do que mostrar que existe um outro lado no conflito exposto de maneira criminosa pela Record e o gabinete do ódio bolsonarista é a articulação de interesses entre uma igreja e o Estado brasileiro em solo internacional. Se o Estado é de fato laico, esse tipo de intromissão em assuntos externos é um grande crime cometido pelo governo Bolsonaro.

Outro absurdo gigantesco nessa história toda é que Edir Macedo e Bolsonaro, pra variar, em sua guerra particular incitam também o ódio contra os quase 10 mil imigrantes angolanos no Brasil. Tivemos recentemente em São Paulo um assassinato brutal de um imigrante angolano, o João Manoel, que foi morto e pendurado em um grande viaduto da cidade e até agora nada não só foi resolvido como nenhuma notícia foi vista nos grandes meios de comunicação. Nos últimos meses foram mais de cinco assassinatos de imigrantes angolanos na cidade.

É bom lembrar que estes conflitos causados pela Universal em outros países vem ocorrendo não só em Angola, mas em Moçambique, San Tomé & Príncipe, Guiné e Cabo Verde e que o Brasil, pela língua e a relação umbilical de sua história com o continente africano, vem recebendo imigrantes desses países.

Se o Itamaraty e seu ministro olavista lunático da terra plana ensaiarem uma ruptura, o que parece ser muito possível, como ficaria a condição dessas pessoas no Brasil?

Convido todas e todos a compartilharem estas informações e o vídeo a seguir para que o assunto seja colocado mais em pauta pela imprensa. Não podemos esperar que a psicose dos psicóticos escale ainda mais ao ponto de vermos casos como o de João se repetirem.

Live do Bispo angolano João Bartolomeu: https://www.facebook.com/joao.bartolomeu.378/videos/3305652142807705/

1 Comentário

  • Brasil invadió y arrebató territorio paraguayo, luego desde la década de los 60 del siglo XX, exportó toda un secuencia de golpismo y tortura, com Pau de Arara incluido, asi como operacion cóndor en américa latina, ahora exporta fanatismo religioso.

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