Evita Perón: santa do povo, líder espiritual da nação Argentina

“O peronismo não pode ser aprendido nem proclamado; deve ser compreendido e sentido, disse Perón. Então é convicção e é fé. É convicção, porque nasce e se nutre na análise dos fatos, em razão de suas causas e suas conseqüências. Leva consigo o impulso e a dinâmica da história em andamento. É a consciência feita justiça que a humanidade de nossos dias exige. É trabalho, é sacrifício e é amor, amor ao próximo. É a fé popular depositada em torno de uma causa de esperança que estava em falta na pátria e que hoje o povo proclama em milhares de vozes diferentes em busca de uma liberdade efetiva nunca alcançada, apesar da dor e do esforço desse glorioso povo de “descamisados”. Como as mulheres argentinas poderiam abandonar essa causa de todos? Na luta, todos temos uma posição e essa é uma luta aberta pelo ser ou não ser da Argentina. Lutamos pela independência e soberania da pátria, pela dignidade de nossos filhos e nossos pais, pela honra de uma bandeira e pela felicidade de um povo desprezado e sacrificado por questão de ganância e egoísmo, que só trouxe dores e lutas estéreis e destrutivas. Se as pessoas fossem felizes e o país fosse soberano, ser peronista seria um direito; porém em nossos dias, ser peronista é um dever. Então eu sou peronista.” – Eva Perón

Marcada como a década da Segunda Guerra Mundial e do início da ordem bipolar, 1940 também assistiu a processos políticos singulares de mobilização popular na América Latina. Em diversos países, projetos de índole nacional e popular foram eleitos com ampla base social e deixaram um legado ainda não superado.

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A Argentina, por exemplo, viveu o surgimento do Peronismo. Uma revolução. O movimento peronista, composto por diversas classes sociais, culminou na eleição de Juan Domingo Perón em 1946. O governo caracterizou-se pelo fortalecimento do movimento operário e pela ampliação dos direitos sociais, culminando na soberania de tipo econômico e político.

Uma das principais protagonistas desta gesta é Eva Duarte de Perón (1919-1952), mais conhecida como Evita Perón. Por então atriz e posteriormente esposa de Perón durante o primeiro mandato (1946 a 1952), ela teve sua trajetória marcada por forte atuação política. Até hoje reverenciada pelo povo argentino, Evita é lembrada pela defesa patriótica dos direitos da classe trabalhadora, das mulheres, das crianças e dos mais humildes — os “descamisados”.

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O legado mais importante de Evita se resume em duas frases: “onde há uma necessidade, nasce um direito”. Quer dizer que a necessidade vai gerando novos direitos e que, portanto, o Estado, deve ser ativo na defesa dos interesses populares; “Onde esteja o trabalhador, está a Pátria”, colocando o trabalho como ordenador da vida social, da comunidade organizada, projeto defendido pelo Peronismo.

Origem popular

A história de Evita começa na pequena cidade de Los Toldos, na província de Buenos Aires. Caçula de cinco filhas da costureira Juana Ibarguren, ela viveu uma infância de privações.

Na década de 1930, aos 15 anos, mudou-se para Buenos Aires com o sonho de se tornar atriz. Em meio a participações nas rádios locais, tornou-se conhecida e ganhou protagonismo como locutora de radionovelas. Em 1944 , conheceu seu futuro esposo, Juan Perón. Os dois se conhecem a partir do terremoto da Província de San Juan, onde morreram mais de 8 mil pessoas. Perón, que era secretário de Trabalho e Segurança Social do governo, decide convocar artistas para um grande show nacional. Foram muitos artistas conhecidos, entre eles, Evita. Nesse momento começa o vínculo que vai mudar a vida de Evita, e da Argentina, absolutamente.

Em outubro de 1945, Perón, então vice-presidente do país, é afastado de seus cargos por um golpe civil e militar e, em seguida, preso. Evita conjuntamente com sindicalistas encabeça uma ampla campanha de agitação social que, em 17 de outubro, reuniu milhões de trabalhadores no centro da capital para exigir a liberdade de Perón, na maior manifestação popular da história do país até esse momento. Desde então, o 17 de outubro marca o Dia da Lealdade Peronista, onde o protagonismo popular, através de suas organizações livres do povo entraram de vez na política Argentina.

Resultado dos anseios populares e nacionais, em fevereiro de 1946, Juan Domingo Perón é eleito para a Presidência com 56% dos votos. Uma votação sumamente expressiva, marca somente superada pelo próprio Perón em 1951 alcançado 62,49% dos votos.

Organização política das argentinas

Os direitos e a politização das mulheres argentinas foram parte fundamental das ações de Eva Perón.

Evita lutou pelos direitos das mulheres, direitos civis e de trabalho. Os direitos civis tinham a ver com a igualdade dos homens e das mulheres, salários iguais para trabalhos iguais, a educação em todos os âmbitos, a promoção social, e a crescente profissionalização das mulheres. Uma dessas conquistas foi a de setembro de 1947, quando foi promulgada a Lei 13.010, também conhecida como Lei Evita, que estabelecia o sufrágio feminino e reconhecia a igualdade de direitos políticos entre mulheres e homens.

Os resultados não demoraram a chegar. Nas eleições de 1951, as mulheres depositavam pela primeira vez seus votos nas urnas argentinas. Foram quase quatro milhões de votos femininos. Mais da metade deles, 64%, para a sigla do Peronismo. Resultado de uma luta histórica das mulheres, agora elas também ocupavam cargos de poder institucional com a eleição de 23 deputadas e seis senadoras.

Evita também consolidou uma organização exclusiva de mulheres. Em 1947, criou o Partido Peronista Feminino com fortes vínculos na política de saúde e educação. Eva Perón foi eleita presidenta por ampla maioria. O Peronismo, a partir de então, incluiu candidaturas femininas para todos os postos de disputa.

Políticas sociais

Em 1948, Evita cria a Fundação Eva Perón, instituição de assistência social que atuava junto ao Estado argentino. Cabe ressaltar que essa organização, independente do Estado argentino, foi parte de uma estratégia de construção de poder popular por parte do Movimento Peronista, dentro das denominadas Organizações Livres do Povo (OLP). Frente a Fundação, a saúde pública foi tema de grande dedicação da líder política. Tem início uma construção impressionante de hospitais, solidariedade social, distribuição de medicamentos, o que vai a colocando em lugar de muito reconhecimento popular e dando o mote de ‘Santa Evita'”, frente aos mais humildes.

Durante o primeiro mandato de Perón, sob a supervisão de Evita, foi construída uma ampla rede de saúde. Em menos de dois anos, a Escola de Enfermeiras Evita Perón graduou mais de cinco mil profissionais. Mais de 30 mil novos leitos hospitalares foram criados. Com a ideia de que nem todos os “descamisados” conseguiam chegar aos hospitais, em 1951 ela inaugura um novo estilo de atenção médica: um trem que viajou o país por quatro meses levando atendimento médico à população e educação sobre higiene e medicina preventiva.

A Fundação Eva Perón também criou escolas em tempo integral para as crianças mais pobres, que abrigaram cerca de 16 mil crianças em uma época na qual a população total da Argentina era de 16 milhões de habitantes. Foi uma mulher que transcendeu as fronteiras. A Fundação Eva Perón, por exemplo, chegou a ajudar crianças e adultos em toda a América Latina.

Ao mesmo tempo, Evita se dedicava ao trabalho com os sindicatos, e tornou-se especialmente admirada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a maior central sindical do país. Sendo cogitava pelos próprios sindicatos como candidata à vice-presidência.

Legado

Apesar de intensa, a vida de Evita Perón foi breve. Em um 1 de maio, Dia dos Trabalhadores, ela proferiu seu último discurso. Às vésperas da eleição presidencial que consagraria Perón para seu segundo mandato, ela falou para milhares de argentinos e argentinas na Praça de Maio, em Buenos Aires, em um de seus discursos mais inflamados e contundentes!

A essa altura, a líder política já sabia que estava com câncer de colo uterino em estado avançado. Em 26 de julho de 1952, Evita morre aos 33 anos. Tamanho era seu legado que três anos após sua morte, quando um golpe militar derrubou o governo de Perón, seus restos mortais foram sequestrados e levados para a Itália.

Chegaram ao cúmulo de roubar seu cadáver, que foi sequestrado durante 16 anos porque diziam que onde estivesse a tumba de Evita estaria uma espécie de procissão peronista. Ainda sem sua presença Evita continuava a assustar a oligarquia argentina.

E hoje a 101 anos passados de seu nascimento não foram capazes de apagar seu legado. A Eva Perón é conferido título de “Líder Espiritual da Nação” pelo Congresso Nacional, mas nos corações do povo argentino é a Santa Evita!

1 Comentário

  • primeiro que a America Latina como um todo, sempre foi carente o social, somente os mais abastados tinham amplos privilegios, embora bem inferior do que se tem hoje os politicos brasileiros e o judiciario, que se pode dizer que são um dos mais privilegiados do mundo atual.Evita com certeza tinha auto Q.I sabia aonde mexer, e justamente o social,se preocupando com a saúde, e estabilidade do povo argentino.Vejamos no Brasil tivemos 66 anos de uma Estado monarquico escravagista racial,portanto zero de social.Tivemos ao redor de 40 anos de governo latifundiario, e continuou num governo hidrido latifundiário com ares de industrializado o governo Vargas, chegamos a um governo hipócrita o JK, que faz uma nova capital com mais de 90% da população sem saneamento basico, e sem agua tratada,habitações populares miseraveis, mais de 80% de analfabetos puros ou funcionais.Portanto nada de social, o Brasil sempre esteve como campeão em desigualdade social e um dos maiores concentradores de renda do mundo.Tudo isso uma mulher Evita Peron conseguiu em pouco tempo de levar um bom grau de social numa população estrondosamente desigual como a Argentina.

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