ELIAS JABBOUR: Iuri Gagarin e a minha tristeza

Acordado a noite toda me peguei chorando ao ler as recentes medidas anunciadas pelo governo, sendo a mais assassina a que permite a demissão por quatro meses de trabalhadores do setor privado. Na prática significa que somos governados por quem já escolheu a morte por subnutrição de milhões de compatriotas.

O mundo em 1917 viveu grandes esperanças que foram renovadas com a derrota nazista pela URSS em 1945, a domesticação do capitalismo e a dianteira soviética na corrida espacial. A crise de 1930 já havia passado, poderosas Economias do Projetamento surgiam nos dois lados da cortina de ferro. Nações africanas, asiáticos e da América Latina lutavam pelo direito ao desenvolvimento.

A Revolução Cubana inspirava os povos em sua luta por soberania. Na metade da década de 1970 poucos imaginavam que o Brasil um dia poderia estar nas mãos de um assassino vil e frio, cercado pelo lumpesinato da burguesia compradora nacional, um economista proto-austríaco cheio de ressentimentos e um ex-juiz ególatra e fascista.

Minha tristeza vem da impotência de uma quarentena, zelando pelo sono de minha família. Sabendo que em breve muitos perecerão sem forças, sem comida e sem remédios. Em 1961 o socialismo conquistava o espaço. Filho de camponeses, a imagem de Iuri Gagarin se espalharia mundo afora. Ainda hoje a Revolução Cubana continua heroica e salvando vidas mundo afora.

O Brasil, quase sessenta anos depois, é tudo o que Gagarin negava enquanto um marco civilizatório. Isso não pode ser para sempre.

Por Elias Jabbour

Brasil, quase sessenta anos, é tudo o que Gagarin negava enquanto um marco civilizatório. Isso não pode ser para sempre ELIAS JABBOUR Iuri Gagarin e a minha tristeza
O líder revolucionário cubano Fidel Castro e o cosmonauta soviético Iuri Gagarin, primeiro ser humano a ir ao espaço sideral e que de sua nave espacial disse a célebre frase: “A Terra é azul.”

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