Homem aranha, o amigão da vizinhança

Por Antônio Cazarine – Tom Taylor vem despontando como um dos principais roteiristas da nona arte há alguns anos, com títulos do tamanho de X-Men Equipe Vermelha, DComposição e Injustice, vem agora em um baita gibi divertido do Aranha. O foco é a volta as raízes do personagem, histórias divertidas do Homem Aranha ajudando seu bairro em Nova York. Após uma década de cronologia complicadíssima o personagem ficou irreconhecível e Taylor heroicamente recupera tudo que fez o público amar o personagem de Stan Lee e Jack Kirby desde o seu surgimento, com um olhar especial para o clima de diversão.

Nas primeiras historias o cabeça de teia vai pra Nova York subterrânea, uma espécie de outra dimensão, e pode parecer bizarro para os novos leitores, acostumados ao clima noir dado às histórias desde meados dos anos 80, mas é um resgate à era de prata dos quadrinhos e seu tom kafkiano de situar o leitor nos maiores absurdos sem maiores explicações, afinal é um quadrinho, não uma dissertação de mestrado. Os diálogos cômicos durante o combate ao crime também são magistrais nessa retomada do antigo Peter Paker, que continua quebrado de grana, precisando dividir apartamento com um vilão de terceira categoria, vive ajudando seus vizinhos a carregarem as compras e os protegendo de assaltos comuns à vida na cidade grande, sem aspirações cósmicas ou de mega-sagas. Ao mesmo tempo em que cria um arco dramático belíssimo para a Tia May.

A iniciativa de capturar as antigas aventuras do Aranha, dando uma roupagem para os novos tempos, da uma chance pra quem viu o personagem nos filmes recentes da Marvel poder pegar um quadrinho que não exige leitura prévia nenhuma e sentir o que fez o Homem Aranha ser o que é, o maior herói da Marvel. Destaque especial para a última história do encadernado que te pega no contrapé e arrepia até o mais frio leitor, sendo inspirada na famosa historia “o menino que colecionava homem aranha”. A Panini acerta com maestria nesse encadernadinho capa cartão que compila as 6 primeiras histórias dessa nova série que saiu originalmente em 12 edições nos Estados Unidos no ano passado e foi um sucesso de crítica, com todos os méritos. O segundo, e último, volume de Taylor à frente do título já esta em banca e mantém o brilho.

Por Antônio Cazarine

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