JONES MANOEL: A crítica ao capitalismo e o pior socialismo

A crítica marxista ao capitalismo não é moralista, mas isso não significa uma ausência de condenação moral. É incrível como nesse sistema coisas inacreditáveis são naturais. É sábado a noite no centro do Recife. Centenas de crianças nas ruas. Algumas trabalhando e outras cheirando cola. A criança, caso não se alimente bem e tenha uma vida confortável, tem seu crescimento ósseo, muscular e desenvolvimento cognitivo prejudicado. Pelo resto da vida, essas crianças estão condenadas.

Essas crianças, quando adultos, muito provavelmente vão ser clientes do sistema penal ou mortas antes de completar 30 anos. A ideologia dominante diz que estão nessa situação por falta de esforço meritocrático ou por índole errada (são “bandidos”). Sem futuro, esperança ou qualquer chance na vida.

Poderiam ser atletas, cientistas, líderes políticos, grandes pensadores e afins. No geral, não vão ser nada. Se conseguir um emprego precário para sobreviver até os 60 anos e morrer com falta de atendimento médico, já vão tá no lucro.

Essas imagens típicas, diária, naturalizadas, me lembram muitas coisas. Entre elas, o velho Lukács. Ele dizia que o pior socialismo era melhor que o melhor capitalismo.

Lukács falava isso porque ele sabia que no mais deformado socialismo, não existia crianças na rua usando drogas, sofrendo abuso sexual, passando fome e sem futuro. Todos tinham trabalho, escola, alimentação e casa. E isso é não é pouco.

E enquanto a humanidade não for libertada, a histórica frase de Fidel Castro vai ecoar

“Hoje milhões de crianças vão dormir na rua. Nenhuma delas é cubana”.

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