JONES MANOEL: E a Cátedra, é africana? 

Uma amiga veio tirar dúvidas comigo sobre o livro “O que é interseccionalidade?’’ escrito por Carla Akotirene. No livro em vários momentos, a autora busca criticar a cosmovisão ocidental e construir uma teoria descolonizante. Como sempre, é claro, o livro é completamente antimarxista. E, como sempre de novo, não tem qualquer conhecimento sério do marxismo. As críticas da autora se baseiam na “”””obra”””” do reacionário e fã de Obama, Carlos Moore.

O detalhe interessante, para além das vulgaridades da crítica ao marxismo, é que a autora chama o tempo todo o Moore de “Doutor”. Toda vez que o sujeito é citado, vem previamente com a sigla “Dr.”. O Objetivo é oferecer mais credibilidade as ideias e mentiras do senhor reacionário. Eu não sabia que a Cátedra tinha sido criação de Afrika (com K, bem no estilo germânico rs).

Eu sempre brinco que o que se chama de “filosofia” e “epistemologia” africana ou centrada em África é, na maioria das vezes, um weberianismo de contrabando. E eu não sabia que Max Weber tinha nascido no Senegal.

Nesse mesmo livro, é afirmado que existe racismo há mais de 4 mil anos, seguindo, novamente, a “reflexão” de Carlos Moore em “Racismo e sociedade” – uma teoria culturalista do racismo que assume uma visão quase biológica. Quando Angela Davis é citada, ela é apresentada apenas como “filosofa” e não como marxista ou militante socialista.

Quando a origem do conceito de interseccionalidade é citado, não fica evidente que o grupo que o deixou famoso, o Combahee River Collective, era socialista e de forma alguma antimarxista.

Em suma, toda lógica do livro, a partir de omissões e usos seletivos da linguagem estratégica do saber/poder ocidentalizado, é construída para formar um antimarxista. Alguém que pode até falar de classe social, mas falará como um weberiano.

E de novo, eu não sabia que Weber tinha nascido na Afrika!

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