JONES MANOEL: Um ortodoxo pós-moderno

Ontem um jovem neo-varguista cosplay de bolchevique me disse que eu estou aderindo ao identitarismo e preciso voltar para o “comunismo ortodoxo”. Na visão do jovem, falar de antirracismo é identitarismo e “comunismo ortodoxo” só se preocupa com a “classe”.

Duas coisas podem ser ditas sobre isso.

A primeira é o deboche: acho fofo demais a mistura de cosplay de bolchevique com ignorância.

A segunda e mais séria. A ideia de que historicamente o movimento comunista nada disse e fez no combate às opressões, e que o comunismo ortodoxo, ou raiz, se preocupa “apenas com a classe” é uma visão da história criada pelo pensamento pós-moderno depois do Maio de 1968.

Luta antirracista, anticolonial e anti-patriarcal é parte orgânica da história do movimento comunista.

O jovem defende uma visão de ortodoxia que simplesmente NUNCA EXISTIU.

O mais engraçado é que como todo bom cosplay de bolchevique, o jovem também se acha a reencarnação de Stalin.

Resta saber o que ele pensa do fato de em Moscou, em 1930, ter sido criada a Escola Stalin de formação política para negros e negras de África em luta pela libertação do seu povo. Ou então do fato da URSS, já em 1931, ter deliberado para todos os departamentos de história das universidades a construção de pesquisas sobre história da África fora de uma perspectiva colonizada como forma de ajudar na formação de uma cultura anti-imperialista. Os exemplos são muitos.

Enfim. É engraçado como o ultra ortodoxo é na real um pós-moderno na história.

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