O nazismo de Bolsonaro na educação: projeto em franca expansão

O episódio envolvendo o agora ex Secretário Nacional de Cultura, Roberto Alvim, seria mais um desses lastimáveis e corriqueiros comentários “nonsense” dos representantes do executivo, não fosse a gravidade de seu significado, que desnuda de fato o projeto que leva a cabo o atual governo. Alvim deixou-se levar pela empolgação cênica, mas, mais do que reproduzir o cenário de Goebbels, sentiu-se, além de sentando na própria cadeira, implantando seu projeto político.

O anúncio do antigo chefe da pasta, feito junto de Bolsonaro, por meio de live, sobre edital de incentivo à produções cinematográficas que reeditem a história da independência do país e valorize figuras históricas nacionais “alinhadas ao conservadorismo” se assemelham a medidas lançadas no nazismo de Hitler, que buscou claramente reformular a história por meio de programas, principalmente, na área da educação.

Como faz Bolsonaro, Hitler elegeu os professores como inimigos. Para Hitler, a classe docente era composta, em sua maioria, por pessoas “desequilibradas”. Para Bolsonaro, professores brasileiros doutrinam estudantes para um projeto comunista, os elegendo como alvo em suas declarações contra a educação nacional, chegando até a vincular o fracasso escolar ao comportamento docente. O escritor Shirer (2008), na obra “Ascensão e queda do Terceiro Reich”, demonstra o desprezo de Hitler aos professores e, não por coincidência, a mesma lógica demonstrada por Bolsonaro se faz presente nos pensamentos do ditador que, em suas conversas informais com companheiros partidários, atribui seu próprio fracasso escolar a seus professores.

Há alguns dias atrás, o Ministro da Educação, Abraham Weintraub, anunciou que os livros didáticos estão passando por reformulação e muitas ideias já foram excluídas. A reescrita da história via reedição dos materiais didáticos e projeto pedagógico foi uma das principais ações de Hitler, que jogou fora todos os livros didáticos utilizados até sua assunção, reescrevendo-os apenas com ideário aprovado pelo regime.

Em 1933, decreto alemão passou a dispor sobre as novas Diretrizes para Livros Didáticos de História, que vinculava o planejamento das aulas da disciplina às ideias em vigor do regime nazista. No Brasil, a operação ideológica via educação está em pleno curso e é preciso mais do que atenção às falas ou uma demissão por uma escorregada. O projeto nazista de Bolsonaro, no que se refere à doutrinação de ideias, não pode ser implementado de forma tão explícita, mas está sendo feito de maneira eficiente e rápida.

Shirer nos alerta que na Alemanha “a história foi tão falsificada nos manuais e pelos professores […] que chegou a ficar ridícula”. Aqui ocorrerá o mesmo, e a própria história pode se refazer outrora, passado o período ditatorial, contando e demarcando as nefastas operações do poder. No entanto, a história não poupa vidas, prejuízos, dores e desigualdades do presente, que este mesmo projeto impõe. É preciso, por isso, que a democracia se reestabeleça mais rápido do que imaginamos e as instituições que a protegem precisam de fato agir.

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