Neymar e a irresponsabilidade como exemplo

Neymar Jr, 29 anos, virou o protagonista de todos os jornais esportivos do mundo do futebol, que por aqui na terra onde ele nasceu, em Mogi das Cruzes, em São Paulo, é paixão nacional.

Mas as capas e chamadas dos sites não noticiam nenhum golaço do camisa 10 da seleção brasileira. Nenhuma jogada genial. Neymar virou viral por conta de uma… suposta festa. Todos os jornais explodiram com a notícia de que o atleta do PSG (FRA) está em Mangaratiba, cidade litorânea cinematográfica que fica na Costa Verde do Rio de Janeiro, e que vai organizar uma mega festa para – dizem os mais incisivos – 500 (QUINHENTAS) pessoas.

A assessoria nega mas não faltam relatos e fontes que confirmam o evento, que teria como regra a entrega dos celulares na entrada da festa. Mas a velha dizia, “quem faz a fama, deita na cama”. E analisando a carreira de Neymar, o que se vê além do talento gigantesco são polêmicas, brigas e muitas, mas muitas festas. A conclusão aqui é que Neymar tem uma credibilidade muito pequena na imprensa e na boca do povo quando o assunto é “comportamento extracampo”. Não raramente, no campo também.

Todo assunto que abordo aqui no Disparada, tenho cuidado e respeito aos leitores e leitoras de prover um certo contexto histórico meu, já que hoje em dia, cada vez as pessoas querem saber também do carteiro, e não só da carta. Como bom carioca, sou vascaíno – e portanto sofredor. Sou apaixonado por futebol, embora hoje em dia o estudo, a luta e a labuta me tirem as horas que já pude investir em belas partidas desse jogo incrível e que aqui, como toda paixão, reflete o país como um espelho, na bola e nas arquibancadas.

Entrar em um Maracanã lotado aos 10, 11 anos, para assistir uma final de campeonato, no meu caso, um Vasco e Flamengo, é uma experiência que marca a vida de quem tem a sorte de vivê-la. Eu tive. E sempre fui um radical fã daquele que é craque. Quando criança, eu só enxergava dentro do campo, extasiado. Edmundo, melhor jogador do mundo em 1997 – pelo menos na minha opinião aos 12 anos chorando na conquista do Brasileirão de 97 – vestindo a camisa 10 do time que era a literalmente a minha vida de pré-adolescente.

Vi Romário, vi o fenomenal Ronaldo, vi Juninho Pernambucano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, o gênio. E muitos outros. Zidane vale registro. Mas o ponto é: aqueles que faziam o jogo parecer mágico foram os que me fizeram ver magia no jogo. Isso e raça, já que precisamos ser contraditórios para sermos brasileiros. Humanos. Mas vamos voltar ao objeto do texto que você vai entender.

Neymar é um craque. Um cracaço. Gênio. Nunca me esquecerei daquela virada histórica na temporada de 2016/17, quando o Barcelona perdeu de 4 a 0 na França para o PSG, e na volta, Neymar brilhou mais que a lenda Messi e classificou o Barcelona com 2 gols e grandes assistência em um 6 a 1 absurdo e fantástico.

Digo tudo isso porquê depois que chegou a vida adulta e foram consolidados os ideais e as visões de mundo, passei a admirar mais os gênios que são ídolos dentro e fora do campo. Acho um tanto inevitável, pelo menos pra mim. No entanto, tento não politizar tudo, embora SIM, graças ao Bolsonaro, hoje eu me pego torcendo contra um treinador ou um jogador quando sei que ele defende publicamente a loucura irresponsável e genocida do presidente. Mas Neymar é minha grande decepção e nada tem a ver com isso, embora ele tenha ficado “neutro” em 2018 e já tenha trocado afagos sociais com Bolsonaro.

Mas me refiro ao menino que nos encantou e que nos devolveu a esperança da taça do mundo, que era nossa e que fica cada vez mais longe. Mas que logo cedo demonstrou uma personalidade explosiva e um temperamento, digamos, complicado. Lembremos que em setembro de 2010, aos 19/20 anos, Neymar desobedeceu o treinador do Santos, na época Dorival Júnior, e após ser substituído, saiu xingando Dorival de tudo que é nome, na frente das câmeras. Renê Simões, histórico profissional da base (jovens) e que comandava o adversário, na época cunhou a frase eternizada: “Vocês estão criando um monstro”. Não se sabe quem criou, ou quantos foram. Mas o monstro cresceu e enquanto jogava como se os outros estivessem em câmera lenta, o “menino Ney” foi fazendo estrago onde passou.

O clube que o formou entrou na justiça acusando Neymar de lhe passar a perna na transferência para o Barcelona. O Santos entrou na Fifa contra o jogador e o próprio Barça, alegando que dinheiro foi acertado “por fora”. Aliás, Neymar enfrentou, no Brasil e na Espanha, processos por suposta sonegação fiscal. Nesse campo ardiloso, vou me ater somente a citar e não comentar. No Barcelona, brilhou. Era o sucessor de Messi. Fez uma temporada espetacular. E…resolveu ir para Paris na maior transferência da história do futebol, 222 milhões de euros. Dá até preguiça de fazer a conta do câmbio. Mas vamos lá: hoje, significa quase 1,5 BILHÃO de reais.

Chegou para ser o craque do time que ia dominar o mundo da bola e no primeiro ato, brigou com o artilheiro e ídolo da torcida, o uruguaio Cavani, por um motivo banal: queria ser o batedor de pênalti do time.

De lá pra cá, brigas com juiz, adversário, treinador, jornalistas e imprensa – brasileira e estrangeira. Sempre se posicionando como vítima de perseguição, que sugeria ser fruto da inveja que seus críticos teriam dele. E é claro que os invejosos infelizes estão espalhados por aí. Mas é a postura de Neymar que chama a minha atenção há anos. Sempre debochando. Ou falando de Deus em postagens enigmáticas. Nunca se desculpando. Quase jamais admitindo seus eventuais erros. Ora, como eu sempre digo: quem nunca errou pode tudo, menos ser humano.

Não existe perfeição nem no campo nem na vida. É a beleza da nossa existência errante e que evolui através disso. A postura arrogante sempre chamou a atenção. Mas na bola o “moleque” era espetacular. Então deixa ele.

Só que o futebol de Neymar, apesar dos números inegáveis, parou – ou diminuiu consideravelmente – de evoluir. Derrotas duras vieram. Na final da Liga dos Campeões da Europa, na última temporada, o craque foi discreto e viu o Bayern de Munique levar a taça, depois de alguns anos tentando chegar a uma final dessa grandeza. Na hora decisiva, não decidiu. Ou será que não decide mais?

E as confusões continuam. Quando não aumentam. Mas e a tal festa da irresponsabilidade criminosa? Nem sei se haverá ou houve. Mas ninguém mais acredita – ou duvida da capacidade de fazer lambanças fora de campo – nas versões de “Neytois” e seus “parças”. Com festa ou sem festa, é triste ver um gênio da bola tomar rumos que, nove em dez casos, faz com que o corpo e a mente não aguente muitos anos jogando. Pelo menos em alto nível.

Se o homem de 29 anos, pai de um filho de 9, não perceber o caminho que trilha, periga vermos o craque que amamos ver brilhar encerrar a carreira precocemente, como tantos outros fizeram.

De uma vez por todas, acorda, Neymar. Você é pai de família, craque, ídolo de milhões e gênio da bola. Aja como tal.

Em tempo: nos últimos sete dias, o Brasil registrou 7.096 mortes pela covid-19, média de 1.013 por dia, que segundo números da Organização Mundial da Saúde, é a MAIOR DO MUNDO.

Boas festas companheiros e companheiras. Descansem e curtam suas famílias, que agora, em 2021, temos muitas lutas para enfrentar. A mais importante delas: criar as condições para a aprovação do impeachment do pior presidente da história do país. O ser humano mais irresponsável, despreparado e vil que já sentou na cadeira mais importante dessa terra chamada Brasil.

Neymar e a irresponsabilidade como exemplo

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