O ódio que divide e unifica

O Brasil, diferentemente do que discorre alguns estudiosos principalmente na área da Sociologia, é uma sociedade extremamente violenta e pouco afeita ao contraditório e à democracia.

A história pretérita brasileira é a narrativa dos massacres, da escravidão, da imposição e do cabresteamento social que Darcy Ribeiro denunciava em sua obra O povo brasileiro como uma ordem social sagrada, imutável e secular.

Este ódio é intrínseco na manipulação política que serve para as polarizações se autossustentarem, afinal, se não existisse coxinha fascista, não existiria esquerdista comunista. Um depende do outro para sobreviver.

Esta polarização descortina toda passionalidade e grau de patologia que as decisões são tomadas e as ações executadas não providas de racionalidade e tão pouco de conhecimento. São essencialmente a anulação de um ou outro, porquanto eu só posso existir se o outro não existir, contudo eu só existo, porque o outro justifica a minha existência.

É exatamente por este sentido que o ódio que divide ao mesmo tempo unifica, pois polariza, diminui substancialmente os horizontes pela falta de diálogo, por não ponderar, por não aceitar o contraditório e por não admitir reflexões.

Sociedades polarizadas ao extremo ratificam o grau de rupturas aos quais são submetidas, como no caso mais recente, a Síria e sua guerra civil. No Brasil o caso mais exemplar foi a ditadura militar, dentre outros episódios ao longo da história.

Nossa intolerância cultiva uma sociedade violenta, agressiva e irracional. Em nome de nossas impolutas e castas intenções cometemos atrocidades, justificamos o injustificável, enfim, o corrupto, o desonesto e a erva daninha da sociedade estão apenas no meus antagônicos que pensam diferente de mim e que ousam, inadvertidamente, serem diferentes.

Olvidam-se de que a ética, a decência e a dignidade são ambidestras, e que visões diferentes engrandecem o debate e a busca de uma melhor solução para nossa sociedade.

Mas a necessidade de odiar, de se contrapor, de eliminar, de fazer valer apenas unicamente a minha visão de mundo, a minha opinião sagrada, a eleger o meu casto e pudico candidato é o que vale e é o que está certo e, qualquer outra forma, é adjeta, repulsiva e reprovável.

Esta polarização, o semear deste ódio, irracionaliza a sociedade e trava o seu desenvolvimento, interrompendo nosso processo civilizatório, atrofiando e massacrando a sociedade brasileira.

Será que a edificação da conceituação de olho por olho, dente por dente, trará algum benefício?

A escalada da intolerância e da agressividade será fecunda para nossa evolução?

A irracionalidade somada ao culto da ignorância e a bestializarão social resolverá nossos seculares problemas?

Para finalizar, o ódio unificador da polarização está destruindo o Brasil. A insciência e a absurdez têm contaminado gravemente nossos horizontes e isso é lamentável.

O ódio que divide e unifica

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