O Processo, documentário sobre o impeachment de Dilma, é imprescindível

O Processo é o mais importante documentário brasileiro do ano. Não é imparcial, mas é imprescindível. Em poucos minutos, já é possível desconstruir meses de intenso bombardeio midiático. E as críticas começaram. Para Veja, o documentário é “muito ruim”. Para Folha, mereceu duas estrelinhas. Se disserem que o filme tenta aliviar os erros do PT, diga que é mentira. Se as filmagens também captassem os bastidores da oposição, a conspiração golpista ficaria ainda mais cristalina.

O documentário é apenas sobre o processo de impeachment. E só. É que nas próximas semanas muitos “isentões” sairão a criticar o documentário cobrando aquilo que o filme não promete. A coisa é sobre o processo de impedimento no Senado. E só. Do outro lado, aqueles que caírem no vitimismo, devem engolir a lamúria. Vocês deixaram Cunha assumir a presidência da Câmara. Ponto. Não é necessário que se caia em vitimismo. A negligenciada necessidade de autocrítica permanece. No filme, Gilberto Carvalho aponta argumentos nesse sentido. Mas, de todo modo, a história tratou de ser muito veloz em revelar parte da verdade.

A primeira frase do documentário é proferida por Cunha, em sessão: “chamem os seguranças para evitar o conflito”. A primeira imagem mostra o muro erguido para separar coxinhas de petralhas, do lado de fora do Congresso. Pensei: será que essa frase não pode ser interpretada como uma convocação social para que o Ministério Público, a Justiça e o Exército evitem o conflito político? “Chamem os salvadores para evitar o conflito!”. O muro simboliza a frase de Cunha. O diálogo acabou. Chamem os seguranças para evitar a política.

A primeira pessoa que Janaína Paschoal abraça após mais um discurso nonsense é Aécio. Traduzo: Janaína- futura vice de Bolsonaro?- foi testa de ferro de Aécio. Por R$ 45 mil e uma convicção apaixonada, Janaína foi o vazio bizarro que preencheu todas formalidades de um processo que já estava julgado antes do julgamento. O muro da conspiração não se deixou atravessar por qualquer argumento racional. O ponto central é esse: não há qualquer racionalidade no processo. Janaína é uma maluca chefiada por um rufião doidão que conduz uma maluquice apoiada por uma matilha de lunáticos que invade a Paulista e transfere legitimidade “popular” ao golpe. Somou-se a fome da histeria social com a vontade de corruptos comerem a Operação Lava Jato.

O documentário não mostra os bastidores da realpolitik. Não mostra a prateleira de deputados em saldão. Não mostra reuniões em que a oposição se suborna, nem os lances do governo a cada leilão. Mas a conclusão que se chega é que após 2014, meia dúzia de pesquisas de opinião valeram mais que milhões de votos. É nossa democracia: pesquisas compradas de opiniões vendidas valem mais que o voto de milhões de brasileiros.

O Processo mostra que- quanto a este caso específico!- a história foi diligente em absolver Dilma. Dilma não cometeu nenhum crime de responsabilidade. Todos os seus algozes estão hoje desmascarados e o golpe de 2016 ficará conhecido como um espetáculo sórdido, de roteiro estéril, protagonizado por figurantes rasteiros, perfeitos representantes de uma plateia chinfrinada.

A Constituição não pode ser tão vilipendiada. Se o muro persistir ao longo desse processo eleitoral de 2018, vai ter mais gente chamando os seguranças/salvadores para evitar o conflito. É nesse caldeirão que o fascismo fervilha. A democracia não aguenta mais uma pancada dessa natureza. Só as eleições de 2018 podem nos salvar do caos. Só a democracia pode implodir o muro para restaurar o diálogo e o natural conflito político, dentro das regras, sem salvadores.

O Processo, documentário sobre o impeachment de Dilma, é imprescindível

1 Comentário

  • Que idiotice, uma pessoal que está fazendo seu trabalho de forma mal feita, e ainda se beneficiando dos outros pra conseguir privilégios deve sair, ela deveria ter escolhido melhor seus aliados e tomando conselhos com outros metalúrgicos, é lamentável que pessoas que escreve esse tipo de coisa se achem formadores de opinião, não basta somente quebrar o país por baixo do pano, tem que fazer isso da maneira mais sórdida e usa a palavra “golpe de estado” pra justifica a sua falta de compromisso com esse povo sofrido do Brasil. Foda-se esse documentário moralista que tenta indubitavelmente, colocar em panos quentes os anos de corrupção desenfreada que o Brasil vem sofrendo.

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