JONES MANOEL: O que é racismo?

Uma coisa para ser superada o quanto antes é o que chamo de “concepção redutora de racismo“. Nessa visão o racismo é compreendido como um fenômeno de inferiorização de povos de fenótipo apenas negro a partir da cultura, representações de beleza, repressão estatal etc. Na realidade, isso é parcialmente errado.

O racismo, tal como existe nos dias atuais, é um fenômeno moderno, nascido no século XIX no bojo da expansão imperialista, e visa justificar e legitimar a dominação mundial sobre os povos considerados não-brancos, isto é, os povos coloniais. Os povos não-brancos, além de negros, incluem asiáticos, árabes, indianos, slavos (não custa lembrar que slavos tem pele branca…), latinos e afins. A fronteira entre branco e não-branco, colonizável e civilizado, é mutável. O Japão já foi não-branco, por exemplo; os judeus também foram não-brancos. Em ambos os exemplos, isso mudou.

Os mesmo mitos criados sobre a África no século XIX: continente sem história, atrasado, bárbaro, sem civilização, cultura ou grandes realizações, povos inferiores etc., foram criados, também, sobre a Ásia. Esse racismo colonial-imperialista não é coisa do passado. É profundamente atual. É cotidiano. É onipresente.

Quando, por exemplo, acreditamos em “notícias” fantásticas sobre a Coreia Popular (“todo mundo corta o cabelo igual”, por exemplo) sem o mínimo de criticidade e pesquisa, isso é o puro racismo colonial e uma forma específica de racismo colonial: o orientalismo.

E racismo tem que ser chamado pelo nome.

Por Jones Manoel.

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