Estranho país que teus olhos já não procuram mais, a poesia política de Álvaro Miranda

“Estranho país que teus olhos já não procuram mais”, quinto livro de poesia do jornalista paulistano Álvaro Miranda, será lançado neste sábado, 9/11, a partir das 15h, na Livraria Martins Fontes, da Avenida Paulista, em São Paulo.

Além de jornalista, tendo trabalhado em grandes jornais diários e assessorias de imprensa de governos no Rio de Janeiro, Álvaro é mestre e doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento (PPED) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Álvaro é um dos colaboradores do PORTAL DISPARADA onde vem publicando textos sobre temas relacionados a políticas públicas e administração de governos. Também publica seus artigos no PORTAL GGN, do jornalista Luiz Nassif, e no site CONEXÃO JORNALISMO, do jornalista carioca Fabio Lau.

Diplomado em 1982 pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), o autor começou sua carreira de jornalista como redator da Rádio Transamérica da capital paulista. Transferido para a sucursal da emissora no Rio de Janeiro em 1983, radicou-se desde então na capital fluminense onde trabalhou, nas décadas de 1980 e 1990, nos jornais diários O Dia e O Globo.

Desde 1996 trabalha em assessoria de comunicação do poder público, estando há 18 anos no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, onde, além de assessor de gabinete, ministra um curso de Avaliação de Políticas Públicas na Escola de Contas e Gestão para funcionários públicos. Atualmente estuda Direito na Faculdade Mackenzie do Rio de Janeiro.

Álvaro Miranda também fez oficinas literárias na Estação das Letras, espaço de cursos do bairro Flamengo, no Rio de Janeiro, da professora e poeta Suzana Vargas. Em 2003 publicou, como edição do próprio autor, seu primeiro livro de poemas, “Retrato do soneto quando pólen”, em conjunto com outros cinco poetas que formavam na época o grupo “Letra Itinerante”.

Assim como o primeiro, seu segundo livro, “A casa toda nave cega voa”, de 2008, pela Editora 7Letras, do editor Jorge Viveiros de Castro, reuniu sonetos em decassílabos com acentuação na sexta sílaba, prefaciado pelo escritor e poeta Antonio Carlos Secchin. Nesse livro, o autor procurou fazer da forma clássica inventada por Francesco Petrarca, no século XIV, experimentações contemporâneas, sem as apoteoses de pegada parnasiana e solene.

Seu terceiro livro, “Diorama”, de 2011, foi escrito no lastro de pesquisas que o autor fez após um curso de haicais ministrado pela poeta e professora Lena Jesus Ponte, na Estação das Letras. Acabou inventando o que chamou de “haicais prosaicos”. Em vez do tradicional haicai de três versos com cinco, sete e cinco sílabas, da tradição de Matsuo Bashõ, do século XVII, do Japão, Álvaro acabou construindo poemas com três versos longos em prosa poética. O livro enfatiza a temática do contraste entre as percepções e as ilusões da vida.

Em seu livro seguinte, “Pra que serve a palavra nunca”, de 2017, Álvaro Miranda fez nova experimentação de poemas. A partir de seus versos, pesquisou em outros poetas semelhanças de forma, conteúdo, sentido e possíveis intenções. O subtítulo do livro, “uma trama de epígrafes”, sintetiza o resultado: um entrelaçamento de vozes contidas em versos de mais de 170 poetas a partir de Baudelaire formando epígrafes para os poemas do volume. O livro foi um dos cerca de 60 semifinalistas do Prêmio Oceanos, de um total de cerca de 1400 títulos concorrentes.

Tanto este livro como o mais recente, “Estranho país que teus olhos já não procuram mais”, também pela 7Letras, lançado em setembro no Rio de Janeiro, e com lançamento neste sábado, em São Paulo, Álvaro manifesta suas inquietações existenciais num plano mais político. Os livros trazem estupor, revolta e as contradições entre o alento e as fragilidades de um cotidiano social marcado por excessivo individualismo e pelos absurdos do avanço neofascista.

Pode-se dizer que esses dois últimos livros são emblemáticos e sintomáticos do atual momento do país. “Pra que serve a palavra nunca”, escrito no calor do golpe que derrubou Dilma Rousseff da Presidência da República, e este último agora, com a ascensão dos neofascistas ao poder. “Estranho país que teus olhos já não procuram mais” traz orelhas escritas pela poeta e psicanalista Daisy Justus e pelo editor Jorge Viveiros de Castro, ambos do Rio de Janeiro.

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