O significado do símbolo do NPR-PDT é mais complexo do que você imagina

Por Thalles Campagnani – O símbolo do Núcleo Popular Revolucionário (NPR-PDT) é constituído de três elementos: um pé de arroz, uma engrenagem, e uma rosa.

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As cores da engrenagem (verde), do pé de arroz (amarelo), do escrito (azul) e do fundo (branco) foram escolhidas para representar o nacionalismo, resgatando as cores da bandeira brasileira.

Os elementos foram elaborados com um significado ambíguo. O primeiro significado é poético, uma palavra de ordem:
– O pé de arroz representando a agricultura, a comida;
– A engrenagem representando a indústria, o trabalho;
– A rosa representando a democracia, o trabalhismo.
Resultando na palavra de ordem: “Nós queremos comida, emprego e trabalhismo!” (ou democracia, dependendo da conjuntura).

A “democracia” que aí está, é a democracia dos burgueses, não a democracia dos trabalhadores. Chamar isto que está aí, a democracia burguesa, de democracia, é o mesmo que chamar um cavalo marinho de cavalo só porque tem cavalo no nome. Neste artigo esta questão é melhor explicada. Depois da leitura e compreensão do mesmo, acredito que o leitor estará convencido da necessidade de lutar pela verdadeira democracia, a democracia trabalhista!

O segundo significado é o mais teórico:
– O pé de arroz representa o campo, os camponeses, os agricultores, etc;
– A engrenagem representa a cidade, os industriais, os comerciantes, etc;
– A rosa representa o Socialismo Democratico, o trabalhismo. Além de resgatar a rosa contida na bandeira do Partido Democratico Trabalhista
Resultando no seguinte significado: “O trabalhismo representa os interesses da aliança do campo com a cidade”

O trabalhismo é uma ideologia política socialista democrática, como pode ser lido na Carta de Lisboa (por isto usamos a rosa como símbolo), isto é, o trabalhismo é o socialismo com características brasileiras.

Uma grande questão em debate no momento é: como vamos implementar esta transição socialista? Por reforma ou revolução?

Esta é uma falsa dicotomia, no sentido que isso deve ser escolhido previamente e que deve-se ficar preso a uma opção. A resposta para esta pergunta depende de condições objetivas do momento, para permitir uma opção, outra, ambas ou nenhuma!

Uma revolução precisa de condições objetivas para triunfar, como por exemplo já dizia Leonel Brizola: “Em primeiro lugar, [a revolução] precisa ter unidade de todos os patriotas“, precisa de organização popular, entre outras, de tal forma que hoje, 24 de dezembro de 2020, é inconcebível uma revolução brasileira. Nada impede que a gente trabalhe em prol de unidade e organização para no futuro próximo seja criada tais condições.

A respeito da reforma, apesar dos males, a democracia burguesa permite uma abertura para a luta de classes se manifestar por dentro do estado, coisa que uma ditadura burguesa, como a ditadura empresarial militar brasileira de 64 não permitia, a luta se manifestava praticamente somente fora do estado, como nos sindicatos por exemplo na luta por melhorias relacionadas às condições de trabalho e salário. De tal forma que, enquanto durar a democracia burguesa, poderá existir a possibilidade de chegar às camadas superiores do poder e fazer reformas.

É aí que entra o Núcleo Popular Revolucionário, quando nossos líderes, como Ciro Gomes, chegarem as camadas superiores do poder, ou estiverem prestes a chegar, dependendo do que for previamente proposto, eles irão tentar encerrar a democracia burguesa tentando dar um golpe de estado como sempre fizeram, a não ser que previamente, nós enquanto classe trabalhadora, estivermos organizados para fazer uma revolução popular. A iminência revolucionária será usada como dissuasória do golpe, permitindo serem aplicadas as reformas na democracia burguesa para ser transformada em uma democracia trabalhista. Caso o golpe seja tentado, a revolução acontecerá de forma reativa. Isto proporciona inclusive mais liberdade para o Projeto Nacional de Desenvolvimento propor fazer reformas mais radicais, e os líderes fazerem menos alianças com a direita.

A história do Brasil, e também de toda América Latina é uma história de golpe, não adianta achar que basta eleger o Ciro Gomes para presidente que nosso problema estará resolvido, que eles irão fazer com o Brasil o que fizeram com a Bolívia (Evo Morales, 2019), Venezuela (Hugo Chávez, 2002), Chile (Salvador Allende, 1973) e outros inúmeros exemplos possíveis de citar da américa latina. E a história do PDT é uma história de resistência, como por exemplo a Campanha da Legalidade em 1961 comandada por Leonel Brizola, que com unidade e organização, resistiu a tentativa de golpe de 61 garantindo que nosso líder João Goulart chegasse às camadas superiores do poder e iniciasse reformas. Este evento foi o mais perto de uma revolução socialista que já aconteceu no Brasil, e foi comandado por líderes PDT (PTB na época).

Em suma, se nós queremos a independência do Brasil do Imperialismo, do Neo-Colonialismo, se nós queremos ter a liberdade de desenvolver as nossas forças produtivas pondo fim a dependência do Brasil, e se nós queremos ter liberdade para aprofundar nossa democracia, nós temos a obrigação de nos preparar para defender o mandato de Ciro Gomes (ou aliados) caso sejam eleitos e fazer a revolução caso seja tentado um golpe contra os mesmos. Como já dizia Leonel Brizola: Até a Social Democracia para ser aplicada no Brasil precisa de uma pimenta revolucionaria.

Portanto, filie-se ao Partido Democratico Trabalhista e ao Núcleo Popular Revolucionário e venha construir o socialismo com características brasileiras, isto é, o TRABALHISMO!

Por Thalles Campagnani, Militante do PDT e membro fundador do NPR.

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