A política como guerra – táticas do radicalismo de direita

Por Christian Lynch – Quando os democratas criticam os neofascistas, geralmente os atacam como burros. Grave erro. É preciso não confundir gente desequilibrada com gente burra. Desequilibrados inteligentes usam o desequilíbrio para chegam ao poder em tempos de crise. Se o grupo dos desequilibrados chegou ao governo, há obviamente inteligência nele. Mais do que houve nos equilibrados, pegos de surpresa. O que não significa que desequilibrados durem, porque, embora audaciosos, geralmente não se estabilizam. Só se derrubarem antes a democracia. Hitler é só o exemplo mais óbvio entre dezenas.

Você que fica aperreado quando Bozo fala em golpe, ou o manda tomar no rabo, precisa saber que, para defender a democracia, é preciso entender a cabeça, a estratégia e as táticas dos reacionários radicais e neofascistas. Foram 2 décadas de leitura voraz na de livros de guerra ideológica contra a democracia. Focados no bolchevismo para chegar ao fascismo, e daí ao nazismo. Existe um manual de tática radical que eles seguem. Se você conhecer algumas de suas regras, conseguirá entender e escalar do círculo em que o colocaram. Vamos lá.

As regras foram formuladas originalmente por um ativista de extrema-esquerda, S. Alinsky, em um livro chamado “Regras para radicais: um guia pragmático para radicais realistas”. Foi adaptado para a extrema direita, que nele inseriu o componente de violência até então ausente, típico do fascismo. São treze regrinhas. Vejam como são seguidas por Bolsonaro…

1) Poder não só é o que você tem mas o que o inimigo pensa que você tem. Daí a necessidade constante do blefe e da mentira.

2) Nunca vá além da experiência das pessoas de seu grupo. Quando uma ação está fora da experiência de sua vivência, resulta em confusão, temor e desânimo. Daí o gosto pela expressão de baixo calão, da vulgaridade, das comparações chulas, da incapacidade de formular um pensamento consistente.

3) Até onde for possível vá além da experiência do inimigo. Aqui você quer causar confusão, temor, e retirada. Explore a falta de familiaridade com a trolagem tecnológica e o recurso às práticas mais ilegais, desleais e indignas a que você nunca recorreu, que o deixam desnorteado

4) Faça o inimigo viver além do seu próprio livro de regras. Você pode os matar com isto, porque eles estão presos a suas próprias regras. Uma igreja cristã, por exemplo, não está acima do Cristianismo.

5) O ridículo é a arma mais potente do homem. É quase impossível contra -atacar o ridículo. Também enfurece a oposição, que então reage ao seu favor, polarizando pelo lado dela. Então insulte seus críticos à vontade como veados, analfabetos, brochas, pedófilos, assassinos etc.

6) Uma boa tática é aquela que seus companheiros compreendem. Se eles não possuem a melhor ideia de como se faz isto ou aquilo, há algo muito errado com a tática.

7) Uma tática que se arrasta por longo espaço de tempo se tornará cansativa. No que se refere à militância, o homem pode sustentar interesse em um assunto qualquer apenas durante um certo limite de tempo depois do qual se torna um compromisso ritualista…

8)Mantenha pressão constante, com táticas e ações diferentes, e utilize tudo que acontecer para alcançar o seu propósito.

9) Normalmente a expectativa de que algo terrível vai acontecer amedronta mais que a própria coisa…

10) A premissa principal para táticas é o desenvolvimento de operações que manterão uma pressão constante na oposição.

11) Se você insiste com atitudes firmes e consistentes acabará alcançando resultados por sua persistência; isto está baseado no princípio que todo positivo tem seu negativo…

12) O preço de sofrer um ataque bem sucedido é uma alternativa construtiva. Você não pode arriscar ser apanhado pelo inimigo com as calças na mão e dizer “vocês estão certos, tô ferrado! Não sei o que fazer diante dessa situação. O que pretendem?” Então minta e insulte.

13) Escolha o objetivo, congele, personalize e concentre ali todas tuas energias, polarize o tempo inteiro, sem se preocupar com discussões racionais em termos de argumentação.

Essas 13 regras explicam as táticas de comunicação dos Bolsonaro e, a partir do conhecimento delas, se torna possível saber reagir, detectando as manobras, os blefes, as mentiras, o significado da aparente irracionalidade ou caia etc. O mais importante é não cair na pilha, e não insistir em se deixar enredar por esses truques, saindo também da zona de conforto para frustrar as expectativas dos fascistas.

O adversário sabe que você se comporta conforme um determinado padrão e espelha as ações dele para neutralizar as suas. O que você faz? Dá murro em ponto de faca? Não. Você precisa surpreende-lo, conhecendo o padrão dele, e alterar o seu, anulando a vantagem que ele adquiriu.

Para defender a democracia, os democratas precisam também se adaptarem para se tornar guerrilheiros. Mas guerrilheiros da moderação, “centristas radicais”, de esquerda ou direita. Para tanto, será preciso atualizar as técnicas de luta. Faça, do seu adversário, o seu professor.

O conhecimento pode realmente libertar. Em mais de um sentido.

Por Christian Edward Cyril Lynch

A política como guerra táticas do radicalismo de direita

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