A raiz de todo mal: a Lava Jato e o lacerdismo

A raiz da teia de ilusões que torna possível que esculhambações como a Lava Jato se tornem fenômenos populares é o maldito lacerdismo. É a crença de que há um ”mar de lama” de corrupção política, e somente política, que impede o Brasil de realizar suas potencialidades.

O lacerdismo é o canto de sereia da elite parasitária, que eu não chama de brasileira porque a considero anti-povo, quando ela precisa cooptar a camada social mais inculta, ignorante, alienada e tapada que existe: a classe média.

Basta que os veículos da elite parasitária comecem a bradar que estamos atolados na ladroagem que os jericos de classe média saem às ruas para lutar em nome da honestidade, o que, para a alma vira-lata que carregam, significa investir contra o próprio país e babar ovo de miragens estrangeiras.

E quando digo que a classe média sofre do mal do lacerdismo não estou me referindo somente à direita. Poucos partidos foram tão marcados por essa mentalidade mentecapta quanto o PT. Eu cresci ouvindo o discurso bocó e as parvoíces puristas da turma do Lula, que se consideravam ”os homens de bem” em meio aos ladrões da politicagem.

Era assim que o PT pedia votos, ”nós somos diferentes, não somos corruptos como os políticos que estão aí, por isso vai dar certo”. Pronto, os problemas do Brasil eram reduzidos, na linguagem inepta e malfadada dos PTelhos, às propinas que congressistas gaiatos colocavam nos bolsos.

Indignado com o bate-estaca moralista dessa malta esquerdeira, Leonel Brizola dizia ainda nos anos 1980: O PT é a UDN de macacão e tamancos. A definição não poderia ser mais exata, mais certeira.

Mas voltemos à Lava-Jato. Nada mais lacerdista que a figura de Sérgio Moro. Ele faz parte da fina flor da burocracia, aquela nata do serviço público que é monopolizada pela alta classe média. O tipo acabado de pessoa que imaginamos babar de paixão ao ler discursos de presidentes estrangeiros nos quais a corrupção política figura como o grande monstro a ser abatido na vida civilizada.

Só uma psique degenerada pelo moralismo mais rasteiro para ousar dizer em público que os Estados Unidos ”deram certo” porque foram colonizados por ”verdadeiros cristãos”, como fez essa arremedo de gente que atende pelo nome de Deltan Dallagnol.

E quando essa gente muge, o gado classe-merdeiro se alvoroça e se coloca de prontidão, ávido por seguir os cegos para o abismo mais próximo. E de abismo em abismo, o Brasil vai degringolando, sabotado pela maior quinta coluna já surgida em forma de grupo social: os jericos da classe-merda.

Por André Luiz dos Reis

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