GILBERTO MARINGONI: A lista tríplice na PGR é lobby corporativo

No método, Jair Bolsonaro está correto em não acatar a lista tríplice escolhida pela categoria dos procuradores à PGR. Trata-se de cargo político e não de carreira. O respeito à lista nada tem a ver com democracia, mas a se dobrar aos desígnios de um lobby corporativo que – a experiência recente mostra – não raro se volta contra o governo.

John Kennedy deu o melhor exemplo de comportamento nesses casos. Em 1961, escolheu para o cargo equivalente a procurador-geral seu irmão Bobby Kennedy.

Uma coisa é a busca pela democratização do Estado, com a instalação de conselhos e mecanismos de consulta à cidadania. Outra é fazer demagogia em funções de alta responsabilidade com um projeto sacramentado nas urnas.

Se a lógica fosse seguida para outras vagas de primeiro escalão, a lista tríplice deveria valer nas Forças Armadas para a escolha de seus comandantes, para a Saúde, Educação, Economia e outras na nomeação dos ministros. Somente funcionários de carreira de cada pasta poderiam comandar ministérios.

Outra coisa é criticar Augusto Aras por suas posições de extrema-direita e comportamento diante da Constituição. Isso deve ser feito sempre, com ênfase e rigor.

Por Gilberto Maringoni

Deixe uma resposta