VAZA-JATO: O Partido da Lava-Jato conspirou com banqueiros

Reinaldo Azevedo acaba de revelar mais um capítulo chocante da Vaza-Jato. Dessa vez não há explicitamente um ato ilícito de Deltan Dallagnol como em outros casos, mas mostra uma articulação política direta do Partido da Lava-Jato com o capital financeiro.

Essa articulação não necessariamente precisa ser combinada entre os agentes envolvidos, financistas e representantes das corporações judiciais. Disparada vem há um bom tempo analisando e denunciando a conexão estrutural entre o avanço do autoritarismo judicial contra a política e o aprofundamento do neoliberalismo em crise. A hegemonia neoliberal que expressa os interesses do capital financeiro precisa de uma tutela cada vez maior dos poderes políticos advindos do sufrágio universal, e o recrudescimento da violência de corporações não-eleitas aparece simultaneamente à não solução da crise financeira global e seus efeitos no Brasil principalmente.

O fortalecimento dessas corporações judiciais que pretendem tutelar o poder político é o que vimos chamando de “Partido da Lava-Jato”. No entanto, a sua conexão com o neoliberalismo se dá em um nível estrutural da análise do movimento do modo de regulação do capitalismo no Brasil (e no mundo ocidental de maneira geral, principalmente na América Latina). Um Estado cada vez menos apoiado no sufrágio e mais apoiado em corporações não-eleitas é condição necessária para a manutenção e avanço da agenda financista.

Os alvos da Lava-Jato, a Petrobras e o poderoso setor de engenharia do Brasil que passou a ser um competidor internacional, evidencia também sua articulação com o imperialismo. Esta é outra conexão também fartamente denunciada neste Portal e por diversas outras mídias alternativas nacionalistas. Não é surpresa o envolvimento dos EUA em espionagem e sabotagem, mas é flagrante também o aumento de sua influência no fenômeno da lawfare como arma de guerra híbrida contra empresas competidoras das americanas, como é o caso das empresas de engenharia do Brasil. Isso para não falar do interesse no pré-sal e na Petrobras, afinal de contas, apontar o caráter estratégico-geopolítico do interesse imperialista no petróleo brasileiro é lugar comum até para governantes.

Porém, as revelações de hoje no blog do Reinaldo Azevedo mostram que essa articulação entre interesses financistas e o Partido da Lava-Jato se dão também em um nível direto de conspiração entre os agentes corporativistas do Estado e a burocracia mais alta do capital financeiro.

Os diálogos mostram uma assessora da XP Investimentos, Debora Santos, convidando Deltan Dallagnol para uma reunião secreta com o primeiro escalão de todo o mercado financeiro brasileiro e alguns estrangeiros. Além dele, a assessora conta que o ministro do STF, Luiz Fux, agressivo lavajateiro que era presidente da justiça eleitoral à época, compareceu a uma reunião desse tipo clandestino para discutir “Lava-Jato e eleições”.

As relações pessoais e profissionais da assessora que faz o convite mostram o nível de contato existente entre as autoridades e os agentes do mercado. Ela havia sido assessora pessoal (e não do tribunal) do ministro do STF relator da Lava-Jato, Edson Fachin, e é esposa do procurador da República, Eduardo Pellela, que foi chefe de gabinete e braço direito do Procurador Geral da República à época, Rodrigo Janot. A princípio, essas relações não significam nada juridicamente. Mas quando juízes, ministros e procuradores, começam a frequentar as casas uns dos outros e reuniões secretas com banqueiros, fica ridículo não pressupor a mistura das relações pessoais e profissionais, principalmente se uma das pessoas envolvidas transita de assessora da burocracia judicial para assessora do mercado para organizar essas reuniões clandestinas.

Essas revelações mostram que a politização da Lava-Jato não é uma teoria, mas efetiva conspiração. A Força-Tarefa do Ministério Público, liderada por Deltan Dallagnol que por sua vez obedecia os comandos do juiz Sérgio Moro, espalhou-se pelo Brasil. Diversos estados criaram suas “seções” da Lava-Jato, assim como os partidos políticos tem diretórios estaduais. No STF e na PGR há também os “quadros nacionais” lava-jateiros. As palestras de Dallagnol, Moro e outros, evidenciou seu “financiamento ilegal de campanha”. Inclusive os lavajateiros buscam utilizar de dinheiro público através da 13ª Vara, e até o dinheiro de acordos nos EUA eles tentaram usar para criar um “fundo partidário” bilionário. A Lava-Jato é um Partido, e como tal deve ser tratado e combatido.

Confira a íntegra das matérias da Vaza-Jato com os diálogos de hoje no blog do Reinaldo Azevedo.

“Deltan e Fux em reuniões clandestinas com banqueiros. Tema: “LJ e eleições”.”

“Fux prefere o silêncio, e XP diz: “Pagamento ou não é acordado em contrato”.”

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