VAZA-JATO: FHC e ONG europeia mandaram recado para Lava-Jato

Nas novas revelações deste domingo na Vaza-Jato, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do PSDB aparece novamente como um aliado político da Lava-Jato. O The Intercept já havia revelado que o então juiz Sergio Moro reclama com o procurador Deltan Dallagnol de uma investigação contra FHC. Dallagnol diz que a investigação teria o objetivo político de mostrar alguma imparcialidade, enquanto Moro está mais preocupado com o estado de espírito do ex-presidente tucano: “melindra alguém cujo apoio é importante.”

As mensagens divulgadas pelo The Intercept e pela Folha de São Paulo hoje são de Bruno Brandão, diretor-executivo para o Brasil da ONG Transparência Internacional, endereçadas ao coordenador da Força-Tarefa, Dallagnol.

Como se viu na matéria do The Intercept, os procuradores da Lava-Jato nunca levarão a sério a possibilidade de processar membros do governo venezuelano no Brasil. Recentemente, inclusive, uma ação foi descartada até por não incompetência do juízo de Curitiba por não envolver a Petrobras, como foi reconhecido pelo relator da Lava-Jato no STF, Edson Fachin.

No entanto, a ONG europeia insistia para que a Lava-Jato processasse autoridades da Venezuela. Segundo mensagem do diretor da ONG, Brandão, ao procurador Dallagnol, ele havia conversado com o ex-presidente FHC em seu instituto sobre o assunto: “FHC veio conversar comigo no final e disse que é uma boa ideia”.

A ONG Transparência Internacional, fundada na Europa por um funcionário do Banco Mundial em 1993, atua principalmente em países da África e América Latina, apoiando o endurecimento judicial contra governos e empresas desses países. No Brasil, a ONG apoia as famigeradas 10 Medidas Contra a Corrupção, que de tão reacionárias já foram abandonadas até por Sergio Moro e barradas no Congresso por serem inconstitucionais.

Para a além das influências ideológicas e das operações secretas, a atuação de uma ONG desse tipo é a expressão concreta e pública dos movimentos do imperialismo para desestabilizar países subdesenvolvidos com lawfare, judicialização da política e ativismo judicial.  O Partido da Lava-Jato é internacionalista e impulsionado do centro para a periferia. A guerra híbrida é ampla, diversificada e total.

A destruição da soberania nacional de países periféricos através das corporações judiciais é um projeto deliberado e organizado do Consenso de Washington, articulado contraditoriamente com os setores neoliberais das elites políticas e financistas da periferia.

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