VAZA-JATO: Moro, MPF e PF articularam vazamento de grampo ilegal de Dilma e Lula

Divulgados neste domingo (8) pela Folha de S.Paulo, em parceria com o The Intercept, novos diálogos da Vaza-Jato mostram como se organizaram o ex-juiz Sergio Moro, procuradores da Lava-Jato e investigadores da Polícia Federal para o vazamento do grampo ilegal da conversa entre Lula e Dilma, quando o ex-presidente aceitou ser ministro da Casa Civil da então presidente, em 16 de março de 2016.

Procuradores e integrantes da PF tinham acesso às conversas dos ex-presidentes em tempo real e rapidamente as repassavam em grupos do aplicativo Telegram. Os agentes da polícia continuaram a ouvir as conversas mesmo após Moro ter suspendido as escutas, inclusive a conversa com Dilma sobre o termo de posse.

Além disso, outras 21 conversas foram gravadas ilegalmente nesse período entre Lula e diversas figuras políticas sobre sua posse, contrariando a tese de Moro de que o ex-presidente buscava o foro privilegiado. Os diálogos mostram Lula contrariado com a nomeação e só tendo aceito após muita insistência de Dilma e de políticos do PT na tentativa de reorganizar o governo e a relação com aliados.

O governo enfrentava problemas tanto com os sindicatos, que reclamavam não ser recebidos pela presidente, como com a base parlamentar, principalmente o então PMDB do vice Michel Temer.

Por decisão de Gilmar Mendes, ministro do STF, a gravação levou à anulação da posse de Lula em 18 de março, dois dias depois do vazamento. A Lava-Jato alegava que sua nomeação era uma manobra para blindar o ex-presidente das investigações em Curitiba. Os diálogos, no entanto, evidenciam que os integrantes da Força-Tarefa vinham preparando o vazamento de material para o momento que Lula fosse nomeado na tentativa de impedir a posse politicamente, deixando claro à efetiva perseguição perpetrada pelo Partido da Lava-Jato contra o petista.

Dias antes, em 9 de março, Deltan Dallagnol, coordenador da Força Tarefa da Lava-Jato, tirava sarro do fato de possuir áudios do ex-presidente Lula.

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No dia seguinte, 10 de março, Dallagnol, discute a utilização dos áudios para justificar a condução coercitiva ilegal do ex-presidente ocorrida no dia 4 de março.

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No dia 14 de março, dois dias antes de Moro vazar o áudio ilegal envolvendo a ex-presidente Dilma, integrantes da Lava-Jato comentam a pressa em preparar o material sob ordens do ex-juiz.

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No fatídico dia 16 de março, os procuradores discutem se haveria concordância com o vazamento na Procuradoria Geral da República em Brasília. Deltan Dallagnol viajou à capital federal para articular o assunto. O PGR, Rodrigo Janot, estava fora do país em viagem à Suíça, e seu chefe de gabinete, Eduardo Pelella, e a procuradora Carolina Resende, consideravam melhor esperar os autos subirem para a procuradoria geral para analisar a divulgação dos áudios do ex-presidente.

vaza jato 1 Poucas horas depois, com a nomeação de Lula tornada pública na imprensa, Moro pergunta qual a posição do MPF para Dallagnol, que responde às 15h27, após a captação de áudio da presidente da República Dilma Roussef: “Abrir”.

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Em grupo da Polícia Federal no Telegram os agentes discutiam trechos que poderiam incriminar Lula: “Senhores: Dilma ligou para LILS avisando que enviou uma pessoa para entregar em mãos o termo de posse de LILS. Ela diz para ele ficar com esse termo de posse e só usar em ‘caso de necessidade'”, afirmou o agente identificado como Prado, às 13h44.

O delegado Luciano Flores, então, determina ao agente que transcrevesse “literalmente tudo sem comentários” e voltasse rapidamente para a Superintendência da PF para subir a transcrição no sistema eletrônico de acompanhamento processual, junto com outros 44 arquivos de áudios anexados com um relatório no dia anterior.

Após isso, Moro retirou o sigilo do material às 16h19 e às 18h32 jornalistas da Globo News noticiaram ao vivo a transcrição da conversa entre Lula e Dilma.

Às 18h40, o procurador Carlos Fernando Santos Lima comemora no grupo de Telegram: “Tá na GloboNews”. Deltan Dallagnol responde: “Ótimo dia rs”. E complementa em seguida: “Caros, vamos descer a lenha até terça”, que seria a data prevista para a posse de Lula.

Em conversa com Dallagnol, Eduardo Pelella, o chefe de gabinete de Janot que achava melhor não divulgar os áudios sem antes subir para a PGR, questiona se eles sabiam do áudio envolvendo a então presidente Dilma captado às 13h44 pela PF, e Dallagnol, que havia respondido às 15h27 para Moro abrir o material, mente dizendo que não.

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Mais tarde os procuradores se dizem preocupados com Moro, pois a ilegalidade do vazamento geraria dificuldades para fundamentar a decisão. Eles admitem o caráter político das medidas ao consideraram que sequer poderiam ser usadas como provas em processos, mas insistem na violação da lei evocando o suposto apoio da população. Dallagnol conclui expressamente que o assunto é político e chama as ilegalidades processuais cometidas pela Lava-Jato de “filigranas”.

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Confira a íntegra da máteria da Folha em parceria com o The Intercept.

1 Comentário

  • Nossa justiça esta realmente prostituído! pois, se deixam tantos relatos fora… e ainda arrumam mais acusações sem escrúpulos nenhum e vem verdadeiros prostitutos constitucionais dizer que o conteúdo não pode ser usado… MEU DEUS A MINHA VERGONHA HOJE,NÃO É, O MEU MAU PORTUGUÊS E DESCOBRIR QUE MORO EM UM PAIS PROSTITUÍDO E DEMAGOGO.

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