LUIZ CARLOS BRESSER-PEREIRA: A nova responsabilidade dos Bancos Centrais

A economia dos países ricos passou por uma revolução nestes primeiros 20 anos do século XXI que está obrigando os economistas a mudar a teoria econômica.

Os economistas pós-keynesianos e os novo-desenvolvimentistas já sabiam que o aumento da quantidade de moeda não causa inflação – que os bancos centrais não têm controle sobre ela porque a moeda é endógena ao sistema econômico.

Mas desde a crise financeira global de 2008 os bancos centrais somaram a esse processo endógeno de criação de moeda pelo aumento do crédito a emissão deliberada de moeda através da compra de títulos novos do Estado.

Foi o “quantitative easing”, que, primeiro, foi feito para garantir a liquidez do sistema econômico, mas, primeiro os banqueiros centrais japoneses e depois os demais descobriram que podiam emitir dinheiro sem causar inflação.

E, portanto, com essa emissão podiam ou diminuir a dívida pública ou financiar o aumento do gasto público. Bastava que apenas que os países não chegassem ao pleno emprego, porque então haveria inflação.

Nesta pandemia os banqueiros centrais financiaram amplamente as despesas que se tornaram necessárias para reduzir os efeitos sanitários e recessivos do Covid-19 sem que houvesse aumento da inflação.

Hoje há no Valor uma entrevista de um financista americano, Manoj Pradhan. Ele prevê que a inflação vai subir e os juros vão voltar a subir para tentar controlá-la, mas não apresenta boas razões.

Por outro lado, diz que “o papel dos bancos centrais mudou; muitos começaram a fazer o quantitative easing”. Assim, eles se tornaram ainda mais importantes. Agora eles financiam o Estado.

E conclui Pradhan: “Se as perspectivas de inflação subirem e os rendimentos dos títulos começaram a subir, fica difícil para os bancos centrais financiar a política do governo”.

Na verdade, financiar o Estado não era função reconhecida dos bancos centrais. Agora é. Esta é revolução macroeconômica. Agora os bancos centrais são corresponsáveis pelo desenvolvimento de cada país.

Agora, mais do que em qualquer outra época, torna-se fundamental que Governo e Banco Central ajam de mostra coordenada. Em conjunto.

Por: Luiz Carlos Bresser-Pereira.

A economia dos países ricos passou por uma revolução nestes primeiros 20 anos do século XXI que está obrigando os economistas a mudar a teoria econômica.

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