A revolução dos ‘Tiradentes’

Por Luis Fernando Braga – Quem nunca precisou de um dentista? Profissão vista com receio por grande parte da população, mas com um toque de santidade quando a necessidade aparece.

Sim, os Cirurgiões-dentistas são vistos como uma espécie de santos mórbidos, explico: todo este inconsciente coletivo está normalmente vinculado à intimidade da sua região de trabalho, afinal de contas o que não conhecemos, não colocamos na boca.

Mas quando observados além da profissão, são pais e mães de família, empregadores, empresários que partilham das mesmas necessidades e angústias de qualquer cidadão normal e sob este ponto de vista, diria que até um pouco menos privilegiado que a grande maioria.

Para montar seu consultório, um dentista recém formado, necessita de um investimento inicial de algo em torno de R$ 150.000,00 com a compra de equipamentos e infraestrutura. Todos estes recursos investidos, são de capital próprio ou na grande maioria das vezes, vindo de empréstimos de bancos particulares a juros mercadológicos, o que num panorama econômico já parece inviável, devido ao grande endividamento nos primeiros anos de trabalho, e sem a garantia de retorno, já que o mercado encontra-se abarrotado de concorrentes.

Você pode estar se perguntando agora, “mas com todas empresas é assim, estão reclamando de que?” O Cirurgião-dentista está classificado entre os profissionais liberais autônomos, atividade que, junto a outras como médicos, advogados, psicólogos etc. podem trabalhar como pessoa física, sem a necessidade de abertura formal de uma empresa. A peculiaridade da odontologia, é a necessidade de uma estrutura enorme de materiais e equipamentos necessários para desempenhá-la, tudo isso sem nenhuma linha de crédito disponível dos bancos públicos, a juros competitivos, que permitam um tratamento de igualdade no incentivo a setores ativos da economia.

Mas a questão não acaba por aí, manter os custos fixos do consultório é necessário, que além disso tem que gerar lucro, e nessa hora nos deparamos com nosso grande desafio nestes tempos de pandemia: a busca pelo consumo de máscaras e luvas descartáveis por pessoas comuns, levou ao aumento absurdo destes equipamentos que são fundamentais para executar seu trabalho. Luvas de látex chegaram a aumentos de 650%, máscaras cirúrgicas a quase 500%, fora todos os materiais correlacionados a possíveis usos em comum de um hospital e de um consultório odontológico.

Entendemos a situação ímpar que estamos vivendo, compreendemos os movimentos do mercado de oferta e procura, da mesma forma nos sensibilizamos pelo desespero de proteção das pessoas, mas, em algum ponto, precisamos de atenção dos Legisladores e Governos, para que nos permitam ter o mínimo de apoio, que nunca tivemos, para simplesmente poder produzir nosso sustento.

Qual confeiteiro não se revoltaria se, quando fosse às compras, e descobrisse que 1kg de açúcar passou a custar R$ 16,50, quando no início do ano o mesmo produto não passava de R$ 2,50? E assim esta conta se repetiria em todos os insumos para fazer um bolo em sua confeitaria.

A qualificação técnica que nos dão o título de melhores dentistas do mundo, ao mesmo tempo nos tiram o de mais representados e ativos em busca de atenção dos poderes políticos, talvez até mesmo pela solidão de um consultório e o cuidado extremo e zeloso aos nossos pacientes.

Por: Dr. Luis Fernando Braga – Diretor Presidente Movimento Help Odonto e Profissionais Liberais.

Qual confeiteiro não se revoltaria se, quando fosse às compras, e descobrisse que 1kg de açúcar passou a custar R$ 16,50, quando no início do ano o mesmo produto não passava de R$ 2,50? E assim esta conta se repetiria em todos os insumos para fazer um bolo em sua confeitaria. A qualificação técnica que nos dão o título de melhores dentistas do mundo, ao mesmo tempo nos tiram o de mais representados e ativos em busca de atenção dos poderes políticos, talvez até mesmo pela solidão de um consultório e o cuidado extremo e zeloso aos nossos pacientes.

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