Sem isolamento, Brasil pode ter 1 milhão de mortos, segundo virologista

O biólogo virologista, Atila Iamarino, alerta que o Brasil pode chegar a 1 milhão de mortos se não colocar em prática uma rigorosa política de isolamento social. Segundo o pesquisador, que é doutor em microbiologia pela USP e estudioso de vírus como HIV, Ebola, Zika e inclusive outros tipos de Coronavírus, com experiência no pós-doutorado em Yale nos EUA, o Brasil deve adotar as medidas restritivas de circulação de pessoas, assim como a China fez cercando a gigantesca região de Wuhan e como outros países que vem diminuindo sua curva de crescimento da epidemia como Alemanha.

Diversas questões são abordadas pelo virologista para explicar como os Estados têm lidado com a epidemia em seus países, quais medidas tem funcionado e quais são as previsões baseadas no estudo histórico sobre vírus de alta transmissão. Sem alarmismo, o biólogo aponta que é possível controlar a epidemia, e aponta que os governos, inclusive o brasileiro, estão cientes de todos os dados e estudos sobre o assunto.

A China, por exemplo, agiu rapidamente. Segundo Atila, os chineses tomaram conhecimento do vírus em dezembro de 2019 e em fevereiro já estavam isolando toda a população de Wuhan. Segundo ele, o Brasil geralmente demora para atuar em epidemias virais, como ocorreu no surto de Zika vírus em 2015-2016 que atingiu a América Latina. Nesse caso, o governo brasileiro levou anos para tomar medidas mais drásticas contra a epidemia iniciada em 2012!

O novo Coronavírus, no entanto, já é uma pandemia global. Sua transmissão é mais veloz que uma gripe normal e, como é um vírus novo, o grande problema é que a população não está imunizada. A sua taxa de mortalidade é menor que a de outras gripes contra as quais a maioria da população já tem resistência. A questão é que a velocidade da transmissão de um vírus novo gera uma concentração de casos no tempo sobrecarregando o sistema de saúde de todos os países. Este é o problema. A crise é da infraestrutura para tratamento dos sintomas, pois, segundo o virologista, a criação de vacinas e remédios contra uma nova doença geralmente leva, pelo menos, um ano. Portanto, não haverá solução do surto através de uma possível cura ou prevenção vacinal.

A única forma de derrubar a curva de casos e de mortes é o isolamento social, como demonstra este gráfico baseado em estudos atuais sobre o efeito das políticas contra o vírus, que mostra o número de leitos hospitalares disponíveis comparada com o número de pessoas precisando de internação em diversos cenários de ação governamental (a linha vermelha indica o número de leitos existentes):

Sem isolamento, Brasil pode ter 1 milhão de mortos, segundo virologista atila iamarino

O mundo e o Brasil já vivem uma profunda crise econômica e social. É por isso que formou-se um consenso rapidamente na mídia, nas autoridades e nos economistas, de que a pandemia só pode ser enfrentada pelo Estado, e que a população deve ser protegida através de pacotes fiscais e monetários. O debate agora é nos termos que se darão esses pacotes de políticas econômicas anti-crise.

O virologista, sempre buscando dissipar qualquer alarmismo, repete que a taxa de mortalidade do vírus é baixa. A questão é que o colapso do sistema de saúde se torna um agravante para a crise econômico-social, pois não é possível ampliá-lo muito em curto espaço de tempo, apesar da criação de hospitais de campanha como a China fez em incríveis 10 dias, ou da utilização de estádios de futebol para improvisar leitos como o Brasil está fazendo. Com isso, a falta de tratamento para muitos casos aumentará a taxa de mortalidade, produzindo cenas que causam grande comoção social, como os caminhões do exército italiano levando centenas de caixões para cremação.

Desse modo, a crise do coronavírus é uma crise social concentrada. Uma crise de infraestrutura para políticas públicas de saúde. Isso não pode ser subestimado, pois a própria história fornece os precedentes de como uma pandemia afeta profundamente a sociedade. O caso mais famoso, a Gripe Espanhola, ocorrida entre 1918 e 1920, tinha uma taxa de mortalidade estimada entre 5% e 10% dos infectados, no entanto, a doença foi contraída por quase 30% da população do planeta, e matou entre 50 e 100 milhões de pessoas. A Gripe Espanhola nada mais era do que um tipo de H1N1 ou influenza. Também houve surtos desse tipo de gripe no século XXI, mas muito menores e sem grandes impactos devido à imunização da população. O novo coronavírus provavelmente também deve se tornar uma doença comum nos próximos anos, é a sua “novidade” que está colapsando a infraestrutura de saúde do planeta.

Desse modo, é preciso ouvir os especialistas e os estudos sobre a contenção desse tipo de surto pandêmico de uma nova doença. O exemplo chinês de isolar uma região inteira deve ser levado a sério no curto e médio prazo, e no longo prazo, somente uma política econômica profundamente planejada e voltada ao bem-estar social será capaz de mitigar ou evitar esse tipo de surto viral, que sem a menor dúvida dos estudiosos do assunto, ocorrerá de novo.

Mais do que valer a pena, é necessário assistir à explicação de um especialista sério como Atila Iamarino.

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Atila Iamarino fez esclarecimento sobre questionamentos a seu vídeo sobre o novo coronavírus reforçando que a estimativa é de estudos utilizados nos EUA e Inglaterra:

 

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