ELIAS JABBOUR: Capitalismo de Estado na China

Eu respeito quem acredita ser a China uma variante de capitalismo de Estado, apesar da pobreza dos argumentos. Nenhum capitalismo de Estado na história teve sob controle total do Estado cerca de 100 grandes companhias e mais de uma dezena de bancos de desenvolvimento. Em nenhum capitalismo de Estado a burguesia, apesar de existente e forte economicamente, esteve completamente despida de poder. A burguesia e os “bilionários” chineses podem influenciar, mas não detêm o poder. Aliás, a perseguição a dezenas de bilionários num país capitalista deveria ser estranha, mas é isso o que está ocorrendo hoje na China. Em nenhum capitalismo de Estado na história a burguesia teria de engolir a existência de células do Partido Comunista em suas propriedades, muito menos entubar aumentos de salários acima da produtividade como tem ocorrido na China desde 2010.

Mas o “x” da questão não é esse. Lênin tinha razão quando disse que 99% dos marxistas nunca leram Hegel. Acredito que hoje 99% dos que advogam o marxismo e falam da China, nunca leram Marx. Digo isso, pois muitas de suas conclusões são honestas, mas o problema é que são resultado de análises pautadas por teorias do século XX: Teoria da Dependência, Teoria Marxista da Dependência, Marxismo do século XIX, Marxismo acadêmico, Marxismo Soviético, Marxismo da classe média, Escola de Frankfurt, via campesina, Escola da Regulação, Keynesianismo, Pós-Keynesianismo etc.

O que tem em comum a todas essas teorias? Todas elas surgiram para analisar o capitalismo e em alguns casos, um capitalismo datado. No máximo algumas teorias ajudam o entender o socialismo soviético. Abrindo parêntese, é espantoso o déficit cultural dos acadêmicos que advogam o marxismo, principalmente os mais jovens.

A China desde 1978 inaugura uma nova classe de formações es econômico-sociais e seu posterior desenvolvimento não foi acompanhado, no ocidente pelas teorias que refletem as novas problemáticas que surgem com o advento de um novo modo de produção. É como analisar a anatomia humana com os instrumentais utilizados para analisar a anatomia do macaco.

Voltarei a escrever sobre isso. Aliás, tenho escrito muito sobre isso aqui na Itália.

Por Elias Jabbour

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