ELIAS JABBOUR: O capitalismo de Estado é fundamental

Na maioria dos casos atrelar o processo chinês como uma forma de capitalismo de Estado mais atrapalha do que ajuda na análise. Os motivos são vários. Só destaco que TODOS os autores que encerram a discussão nesses termos pouco conhecem sobre a complexidade da base material e de propriedade da China. Também é verdade que essa tipologia é uma forma de negar a existência de qualquer vestígio de socialismo naquela experiência.

Qual socialismo? Geralmente algo relacionado à “pobreza digna”, “igualitarismo” ou puro ludismo. Gostemos ou não a economia monetária moderna é fundamental ao socialismo. Ouso dizer que a variante chinesa de socialismo de mercado (sim, existem outras formações-econômico sociais que podem ser tipificadas como “socialistas de mercado”, como o Vietnã, que são diferentes da chinesa) nasce como uma moderna economia monetária.

Qual o problema da utilização deste conceito? Acredito que nenhum. Vou além, proponho uma distinção/atualização da definição que Lênin deu ao conceito, simplesmente a melhor que vi até agora. Mas ele escreveu a primeira vez sobre isso em 1917. Mais de cem anos atrás.

A mim o capitalismo de Estado é um componente fundamental e necessário à qualquer economia de mercado dirigida no sentido de construção do socialismo na presente quadra histórica. De fato o conceito de capitalismo de Estado com o qual trabalho incorpora uma inescapável característica da etapa primária de uma economia de mercado socialista: a dialética, a relação de competição/complementariedade e a co-existência de relações de produção socialistas e capitalistas em uma mesma formação econômico-social.

Continuo aqui onde estou aprofundando este emaranhado conceitual e teórico. Novidades aparecerão…

Por Elias Jabbour.

Deixe uma resposta