Os ‘debates’ de internet entre marxistas e seguidores da MMT

Estes “debates” de internet entre marxistas e seguidores da MMT já deram no saco.

O mais irritante de tudo já está no próprio ponto de partida: criar uma disjuntiva entre ambos como se fosse uma escolha obrigatória entre duas espécies de um mesmo gênero, ao estilo clube de futebol ou preferência de fruta.

Ora, o subtítulo de O Capital é “crítica da economia política” por um bom motivo. Não é tratado nem sistema, mas crítica, um termo com uma trajetória própria, bastante singular, na tradição filosófica do idealismo alemão no qual bebeu Marx.

Marx não fez uma economia positiva na forma de uma Economics ao estilo Alfred Marshall, a disciplina que substitui a Political Economy clássica de Smith e Ricardo. Não precisa nem dizer, então, que macroeconomia stricto sensu, algo inexistente na época dele, passa longe do Capital.

Se você procurar em algum dos três livros da obra subsídio para debater aspectos técnicos e operatórios da política monetária, com certeza só encontrará frustração.

A MMT debaterá, por exemplo, relação entre as variáveis macroeconômicas (como nível de preços e taxas de juros), para formular políticas envolvendo dívida, relação do BC com Tesouro, uso das reservas cambiais, etc. Seus interlocutores privilegiados são, portanto, teorias econômicas da ortodoxia (tipo um Lawrence Summers) ou da heterodoxia, como os pós-keynesianos e kaleckianos da vida.

Tentar um confronto frontal entre O Capital e MMT é como comparar a teoria marxista do direito do Pachukanis com a doutrina do Constitucionalismo alemão. Não faz sentido.

Isto quer dizer que não há como fazer aproximações? De uma maneira indireta e em alguns pontos teóricos específicos dá sim. Exemplo: teoria da moeda. O marxismo daria conta de abarcar o mundo sem lastro em ouro depois de 79? A visão da MMT é realmente um novo cartalismo, semelhante ao que Marx criticava?

Isto não é a mesma coisa que destruir toda a MMT apenas demonstrando que a visão de Marx sobre o tema é superior — posição que não é a minha simplesmente por falta de estudo suficiente, o que não me tira a carteirinha de marxista — assim como seria absurdo pretender demolir toda a doutrina do Direito Civil brasileiro apenas defendendo a crítica ao sujeito de direito desenvolvida por Pachukanis ou Althusser.

Seria mais produtivo que delimitassem melhor o alvo e assim pudessem dissecar as diferenças e os pontos de contato ao invés de continuarem com essas briguinhas e provocações ridículas que apenas servem pra alimentar o ego e angariar visualizações, likes e monetização para vídeos de YouTube.

marxistas e seguidores da MMT

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