Desindustrialização e reindustrialização

No Brasil, houve desindustrialização, mas é possível reindustrializar.

Na área da saúde, a desindustrialização implicou a falta de medicamentos para câncer, sífilis e Covid-19: “Desabastecimento é um problema mundial causado pela concentração de fábricas e pelo foco em tratamentos complexos e mais caros”.

O país fabrica apenas 5% dos insumos para a produção de medicamentos. A maior parte, 95%, é importada de países como China e Índia — esses responsáveis pela fabricação de 40% dos insumos utilizados no mundo.

Abiquifi e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) firmaram um acordo de fomento a inovação, produção local e independência tecnológica. A Aliança Estratégica vai estimular cooperação entre as 44 empresas associadas à Abiquifi com centros de pesquisa.

Na década de 1980, a indústria farmacêutica nacional era responsável por 55% de seus insumos. Com a abertura desregrada dos anos 1990, deu lugar à importação de medicamentos, quebrando cadeias produtivas nacionais. Com isso, passou a importar 90% dos insumos farmacêuticos.

Com políticas de inovação e fortalecimento das compras públicas voltadas para o mercado interno e empresas nacionais, aliada à base industrial e estoque de conhecimento do país, é possível retomar o fortalecimento das cadeias produtivas do complexo industrial da saúde.

Nesse artigo do professor Gadelha, uma das maiores referências no Brasil sobre o setor, o complexo industrial da saúde é mostrado como um setor estratégico, que precisa ser analisado em uma perspectiva dinâmica da economia, em suas mudanças institucional, acumulação e de inovação.

Nessa coluna, o Professor Gadelha discute a relação entre o complexo industrial da saúde e o estágio atual do setor no Brasil, apontando para a relação entre as dimensões sociais e econômicas do seu desenvolvimento:

O Brasil perdeu dinamismo econômico, produtivo e industrial, havendo uma clara regressão em sua estrutura econômica, e não conseguiu alterar substantivamente a desigualdade pessoal, regional e territorial.

Essa perda de dinamismo, regressão na estrutura produtiva, e desigualdade se revelaram de modo arrebatador na pandemia atual.

É possível recuperar? Sim, mas com política de inovação e desenvolvimento das forças produtivas.

Com esse governo, isso não vai acontecer.

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