GUSTAVO CASTAÑON: Números frios do fracasso neoliberal

Na mediocridade do Governo Dilma I, sob orientação do que a mídia chamou de “nova matriz econômica”, que não era nada mais que tripé macroeconômico com toneladas de desonerações fiscais, o PIB patinou.

Para cada 100 reais que o Brasil tinha de riqueza quando Dilma assumiu, tinha 109,7 quando ela se reelegeu.

Então, publicamente, o governo aceitou a alcunha e disse que estava abandonando a “nova matriz econômica”.

Nomeou o economista formado em Chicago, berço do neoliberalismo, para aplicar o programa derrotado nas urnas, de “austeridade”. No mundo real, “austeridade” é o nome que se dá à irresponsabilidade fiscal pelo lado do orçamento financeiro, com arrocho fiscal do lado dos investimentos e salários.

Em nome da austeridade, Joaquim Levy aplicou a mais irresponsável e criminosa política de juros que já se viu nesse país (excetuando o hors concours FHC). Como resultado, explodiu um déficit público antes controlado, produziu a maior depressão da série histórica e a maior explosão da dívida pública da história.

Os neoliberais acertam quando colocam isso na conta do PT.

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O que eles erram é quando fingem que não tiveram nada a ver com isso. Cada um dos neoliberais que conheço pessoalmente diziam que o país finalmente estava no rumo certo.

Minha gente, isso foi ontem, quem não se lembra de como Levy foi recebido pela imprensa como a volta da racionalidade econômica ao poder?

O resultado das gestões neoliberais de Levy, Meirelles e Guedes são os piores cinco anos da economia do país de que se tem dados.

Para cada 100 reais que o país tinha de riqueza quando Levy assumiu, hoje temos 96,8. Em suma, em cinco anos, a economia ainda está 3,2% menor do que em 2014.

Para voltar ao nível de riqueza que produzíamos em 2014, antes da vaga neoliberal, teremos que crescer 3,3% esse ano. Nem a previsão do André Perfeito salva.

E como continuamos a crescer populacionalmente 0,8% ao ano, isso significa que cada cidadão no país está em média hoje 7,4% mais pobre do que em 2014.

Isso para não levar em consideração o PIB per capita medido em dólar… que explodiu sem controle.

E o pior disso tudo ainda não falei.

O pior é que se o país crescesse 3,3% esse ano, e voltássemos exatamente aonde estávamos em produção em 2014 (e portanto mais pobres, porque temos mais gente), os neoliberais diriam que salvaram o país.

Mas mesmo que sejam enxotados do governo antes de devolver o país ao patamar de riqueza de onde o tiraram, assim que mudarmos a política econômica e o país voltar a crescer, eles vão dizer que o crescimento foi por causa do “ajuste” que eles fizeram, assim como que seu fracasso foi causado pelo crescimento dos que vieram antes deles.

Porque o neoliberalismo, como toda teoria anticientífica, é infalsificável e invulnerável à realidade.

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