Milton Friedman e o liberalismo irresponsável caíram de novo

Ao tentar calcular as projeções de curto e longo prazo para a economia nestes tempos, algumas posições têm sido óbvias: a contração da produção e comercialização de produtos será reduzido e as medidas para manter a demanda estáveis é o caminho que os governos tem tomado para tentar estancar parte do processo de recessão.

Entretanto, o debate econômico ao redor da inflação e proposto pelos monetaristas/liberais que trabalham com a hipótese do desenvolvimento inflacionário e a curva aceleracionista de Milton Friedman como uma relação direta entre emissão e inflação, terão pela frente mais uma maneira para tentar rever seus conceitos e, no futuro, subverter as conclusões que serão passíveis desse episódio histórico.

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Com a redução evidente da demanda a frente, ter-se-á alguns enfrentamentos para serem tomados: manter o nível de emprego e de consumo do curto prazo.

Porém, a relação entre inflação e desemprego, como propôs a Curva de Phillips está dada com bastante evidência (e é exatamente por isso que os governos a esta altura estão intervindo nas economias: anúncio de US$ 1 trilhão de dólares para a economia norte americana pelo FED e a Casa Branca; BCE atuando com cortes na taxa de juros; governo da Espanha instaurando decretos para assumir o controle dos hospitais privados; ministro francês assumindo a possibilidade de estatizar empresas nacionais que terão dificuldades nesta crise; “pacote desemprego” no Brasil, entre outros), ou seja, quanto maior a taxa de desemprego, menor a inflação, pois os preços mostrar-se-ão mais suscetíveis a queda diante da redução da demanda.

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Entretanto, Friedman nega tudo isto, e diz que a relação entre desemprego e inflação é proporcionalmente inversa, propondo que haveria uma Taxa Natural de Desemprego e que as expectativas adaptativas dos assalariados seriam rompidas, pois o poder de compra dos bens não mais séria exercida pela mesma quantidade de produtos que poderia ser comprado antes da intervenção monetária. A questão, é que, sob expectativas adaptativas os consumidores baseiam a relação do futuro, com o passado, mas no passado a intervenção e coordenação se fez necessária para suprir as crises, se não supor que não haverá coordenação, então as expectativas adaptativas de Friedman não podem excluir está possibilidade, o que claramente por ele é excluído.

O momento é de reflexão, mas com certeza o mundo percebeu, a retórica voltará, mas não será a mesma. Ah, como eu queria que Friedman pudesse ver tudo isto. Keynes já havia visto tudo.

Complementar a este texto: “Somos todos keynesianos”

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