GILBERTO MARINGONI: Moratória no Prata

A Argentina tomou uma medida defensiva dentro das regras da finança global: vai refinanciar parte de suas dívidas de curto prazo regidas por regras locais. É quase um default, a julgar pelas notícias preliminares. O governo aparentemente não tinha saída.

É também um abalo para um presidente faroleiro que se gabava, há 4 anos, de ter sido eleito para colocar a economia de pé. O crédito ficará mais caro para o país.

Quando Nestor Kirchner realizou uma renegociação forçada com os “fundos abutres”, em 2005, céus e terras da mídia se moveram em passo com o mercado financeiro. Era algo comparável ao anúncio do Armagedon. Antonio Palocci, luminar e homem forte do primeiro governo Lula, impediu qualquer solidariedade a Buenos Aires. No final daquele ano, o país conseguiu romper o bloqueio de crédito graças à compra de bônus pela Venezuela. Bom negócio para ambos: NK voltou a vender títulos do tesouro e Chávez obteve lucro em menos de dois anos.

O tratamento da mídia global agora é outro (mesmo levando-se em conta a diferença das operações). Para os entusiastas do neoliberalismo em ritmo de tango, as explicações virão embaladas em piruetas argumentativas cheias de efeitos especiais.

A herança macrista para o possível presidente Alberto Fernandez será muito dura.

Por Gilberto Maringoni

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