Guedes não leu Keynes, se leu, pulou o capítulo 12

Paulo Guedes com certeza não leu a Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda de John Maynard Keynes.

Guedes não leu Keynes, se leu, pulou o capítulo 12

Mesmo que diga, suas palavras não condizem com o receituário básico da teoria keynesiana, inclusive no que tange às expectativas dos agentes econômicos. Podemos afirmar isto com toda a certeza diante de uma breve análise das declarações do Ministro da Economia.

Por repetidas vezes desde março de 2020, o Ministro vem repetindo frases simplórias que deveriam fornecer ou assegurar as expectativas dos agentes econômicos quanto aos rendimentos futuros, e assim, não reduzirem o investimento e, por conseguinte, a demanda efetiva.

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O desempenho da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) para o primeiro trimestre de 2019 retraiu-se em (-0,2%), o único setor que apresentou variação positiva foi o da Construção Civil, com grandes ressalvas, visto que a Construção Civil tem forte influência do financiamento estatal ofertado pelos Banco Públicos, que tem a condição de garantir a liquidez em momentos de recessão. Máquinas e equipamentos tiveram desempenho negativo de (-1,3%) (IBRE/FGV).

No dia 06 de maio, repetiu o discurso “O Brasil de julho em diante está crescendo de novo” (ESTADÃO, 06/05/2020).

Se realmente tivesse lido a Teoria Geral, ele repetiria menos o discurso e trabalharia mais.

O capítulo 12, intitulado “O Estado da Expectativa a Longo Prazo”, garante que o estado das “Expectativas Convencionais” é de extrema importância para que haja ampliação da capacidade produtiva instalada (investimento). O “Estado de Confiança” keynesiano é bem lúcido quanto a necessidade de atuação da demanda efetiva sobre as expectativas dos agentes.

Com a agenda predatória e austera proposta por Paulo Guedes, é impossível que se possa estabelecer um “Estado de Confiança” digno, pois seu discurso não privilegia o investimento, o aumento do consumo e a retomada do emprego. Pelo contrário, diverge do essencial que deve ser feito para garantir a atuação em períodos de crise.

A leitura do capítulo 12 se faz mais que necessária em períodos de recessão, pois palavras ao vento como as do Ministro, não asseguram as Expectativas de Longo Prazo, pois “Se esperarmos grandes mudanças, mas não tivermos certeza quanto à forma precisa com que tais mudanças possam ocorrer, nosso grau de confiança será, então, fraco.” (KEYNES, 1996, p. 160)

Mesmo com as variações favoráveis na taxa de juros, o investimento mantém-se deprimente, em estado de quase estagnação desde antes da crise. No primeiro semestre de 2019, o nível de investimento medido pela Formação Bruta de Capital Fixo atingiu o menor patamar da história, recuando para 15,5% do PIB (IBRE/FGV).

As Expectativas de Longo Prazo não dependerão então, somente das “boas palavras” do senhor Ministro, nenhum empresário brasileiro aumentará sua capacidade instalada (consequentemente a quantidade de empregos) e ofertará maiores salários se o nível de investimento não aumentar, e esta condição, em um período de crise, somente pode passar pela atividade estatal.

Mas Paulo Guedes não leu Keynes. Não leu três vezes, tampouco no original em inglês.

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1 Comentário

  • Keynes é o maior culpado pelas distorções econômicas que estamos vivendo. Sistema que tornou o Estado como um mero pagador de juros pra elites, escravizando a população que corre o risco de entrar em um novo feudalismo. O sistema de Keynes é a perfeição para a exploração humana com discurso de prosperidade.

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