CESAR BENJAMIN: A “guerra cambial” entre Estados Unidos e China

Desde a década de 1970, quando romperam os Acordos de Bretton Woods, os Estados Unidos manejam livremente a moeda do mundo, que é a sua, como instrumento de hegemonia.

Nos últimos anos, a emissão de trilhões de dólares para salvar instituições financeiras, combinada com taxas de juros em torno de zero, reforçou a tendência à desvalorização do dólar, que é funcional para a economia americana, entre outros motivos porque desvaloriza suas dívidas. Cria-se, ao mesmo tempo, uma superoferta de recursos que perambulam pelo mundo.

Países que adotam uma posição passiva e concedem ampla liberdade à entrada e saída de capitais, como o Brasil, orgulham-se de recebê-los em abundância. São muito elogiados. Mas expandem seu passivo externo (o que significa maior montante de remessas no momento seguinte) e valorizam suas moedas, penalizando os sistemas produtivos locais.

Mais passivos, de um lado, e menor capacidade produtiva, de outro, não pode ser um bom caminho de desenvolvimento no médio e longo prazos. Só os economistas chapa branca brasileiros não veem isso, talvez porque ganhem muito dinheiro intermediando essas operações.

Para escapar das armadilhas inerentes a esse padrão monetário, a engenhosa solução chinesa foi manter os controles da movimentação de capitais e atrelar o yuan ao dólar, de modo a neutralizar as flutuações deste último.

Ao contrário do Japão anos antes, a China vem resistindo à pressão americana para valorizar o yuan, o que tem contribuído para o seu excepcional desempenho. Agora, deixou a moeda desvalorizar, decorrência das medidas protecionistas do governo Trump. As consequências são complexas, difíceis de modelar.

Ainda não sabemos onde isso vai parar. Mas é uma briga grande, que não será resolvida em curto prazo. O aspecto meramente econômico é a ponta do iceberg. É de hegemonia que estamos falando.

Por Cesar Benjamin

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