ELIAS JABBOUR: Harvey e Zizek, os “Paulos Coelhos” do marxismo

Acabei de ler os artigos de Harvey e Zizek a uma coletânea chamada “Sopa de Wuhan”. Duas figuras delirantes incapazes de perceber um palmo a frente de seus narizes. O mundo pós-coronavírus não será o pós-sociedade do consumo ou uma necessidade de revalidar nossos diplomas de liberais cujos valores estão sob ameaça.

A China está promovendo desde o início da presente década transformações profundas no seio de sua economia indicando a possibilidade, pela primeira vez, de superação de uma economia socialista com planejamento compatível ao mercado a uma economia que soluciona o drama da demanda efetiva, supera a incerteza keynesiana e começa a operar criando utilidades voltadas ao pleno bem estar humano, substituindo o ente mercantil pelo “projeto”. Evidente que me refiro à “Nova Economia do Projetamento“.

Essa economia começa a engatinhar na China, aponta ao futuro. Construir hospitais em alguns poucos dias e operar a combinação de cadeias produtivas com a Rússia com a competência biotecnológica cubana não é um fato trivial. Existem processos que somente funcionam com a maxirracinalização do processo de produção. Um camponês chinês pode ser diagnosticado e tratado de Covid-19 apenas tendo um celular a mão. Isso não é um fato isolado e, sim, os primeiros sinais de um futuro que resgate as antigas Economias do Projetamento do mundo capitalista (welfare state).

Aos Paulos Coelhos do marxismo que pipocam no centro do sistema com amplas plateias de jovens radicais na periferia do sistema devemos dar uma resposta “terceiro-munidsta” a eles. Olhem para a China além das lentes da classe média ocupada com as liberdades individuais. Percebam que um novo modo de produção surge, se transforma em uma variante de nível superior do socialismo e em alguns dias estará fornecendo a possibilidade de salvar o mundo de uma catástrofe. A Nova Economia do Projetamento vai produzir máscaras e respiradores para toda a população infectada dos Estados Unidos e do mundo.

E vocês no centro do sistema ainda apegados a conceitos abstratos de liberdade e livre movimentação atacando a China na primeira oportunidade sem perceber o quão rasos intelectualmente vocês são, apesar das aparências de “gênios”?

Por Elias Jabbour

ELIAS JABBOUR Harvey e Zizek, os Paulos Coelhos do marxismo

1 Comentário

  • Por volta de 2005, o David Harvey havia escrito que a economia chinesa “estava em crise” e que iria “entrar em colapso”. Mais recentemente, ele deu uma entrevista defendendo explicitamente o Partido Democrata dos EUA. Esse é o tipo de “revolucionários” que dominaram o círculo acadêmico dito marxista. Socialistas radicais no vocabulário, e neoliberais na prática.

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