GUSTAVO CASTAÑON: Por que tamanha desfaçatez da imprensa econômica?

Entre 1999 e 2002, o neoliberal Fernando De La Rua (aquele bandido que fugiu de helicóptero da Casa Rosada enquanto o povo invadia o palácio), derrubou o PIB argentino em 18,6% com quatro anos initerruptos de queda. Isso mesmo, neoliberalismo é igual a -18,6% em quatro anos.

Foi esse país que Nestor Kirchner assumiu em 2003. Com uma política desenvolvimentista e a renegociação da dívida interna feita por ele e Duhalde (a quem ele deve o sucesso de seu primeiro ano), Kirchner, em apenas quatro anos, fez o PIB argentino crescer 39,5%. Isso mesmo, 39,5% em quatro anos.

Sua esposa, Cristina Kirchner, assume em 2007 e eleva o PIB em mais 20% em quatro anos, mesmo enfrentando a crise de 2008 no meio que derrubou o PIB em 6%. Em seu segundo mandato, Cristina teve um desempenho péssimo no PIB: somente 1,4% de crescimento.

Em uma década de governo, os Kirchner tinham elevado o PIB argentino em 72,6%, com a maior crise da história do capitalismo mundial no meio.

Repito, 72,6%. Uma década.

Eram uma China aqui embaixo de nossos pés.

A imprensa brasileira chamava isso de fracasso e populismo.

Mauricio Macri assumiu recebido pela imprensa brasileira como salvador do continente e baluarte da racionalidade econômica. Aplicou o receituário de corte de gastos, de direitos, arrocho fiscal, juros altos, proibição de emissão para crédito. Em três anos, a economia argentina caiu 2,3%, com duas recessões no meio. No primeiro trimestre deste ano, o resultado catastrófico do neoliberalismo quando aplicado por longo período aparece em toda sua devastação: -5,8% do PIB. Isso mesmo. -5,8%.

A imprensa brasileira chama de “modernização” e culpa a era Kirchner, assim como a imprensa argentina.

Porque?

Porque comentarista econômico de imprensa corporativa não é analista econômico, ele é um marketeiro político, tentando convencer o povo a ficar dócil diante dos interesses dos patrões milionários.

E porque patrões milionários apostam na devastação da economia?

Eles não apostam.

Eles apostam é na venda de todos os ativos econômicos do Estado para eles se apropriarem de ativos reais a preço de banana enquanto através dos juros tiram do povo o dinheiro que usam nas privatizações.

Mas eles entram nas privatizações?

Claro!

Eles são sócios dos bancos!

Por Gustavo Castañon.

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