Indústria Nacional Resiste – o Caso da Empresa Mondial e a importância do câmbio de equilíbrio

Hoje um sopro de esperança para todos aqueles que compreendem que a reindustrialização do país é fundamental para garantia de nossa soberania nacional, para geração de empregos com melhores remunerações e, é claro, para agregação de valor em nossa cadeia produtiva o que estimula o desenvolvimento tecnológico e a sofisticação do que é produzido no país, foi dado pela empresa de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e eletroportáteis, Mondial.

Foi anunciado no noticiário econômico que a empresa brasileira comprou a sede da japonesa Sony em Manaus e que passará a partir de então a produzir Televisões (SmartTVs, 4K e Full HD), aumentando seu portfólio produtivo que hoje reside na produção de ventiladores, torradeiras, secadores de cabelo, batedeiras e liquidificadores, Dvds, caixas de som entre outros.

Isso é animador, tendo em vista que de acordo com o respeitado economista Haa Jong Chang, a nação brasileira passa pelo maior processo de desindustrialização da história do capitalismo.

Agora, como é possível uma empresa nacional, com todas as dificuldades de infraestrutura, custo Brasil, sistema tributário, Pandemia e outras atrocidades econômicas praticadas por um governo neo-liberal que praticamente liquidou todas as tarifas de importações para setores estratégicos, lograr êxito em um cenário tão calamitoso?

Para responder essa pergunta eu trago uma matéria do próprio Estado de São Paulo, datada de 05 de maio de 2020, que em suma, comprova um dos pilares da teoria Novo-Desenvolvimentista: “a importância da desvalorização cambial e o câmbio de equilíbrio”.

“O novo patamar do câmbio, cotado acima de R$ 5, acelerou ainda mais os planos de Mondial, fabricante de eletroportáteis, de nacionalizar a produção. No mês passado, a empresa anunciou que iria fabricar no País batedeiras, ventiladores de grande porte usados em comércios e igrejas, caixas de som e cooktops. Agora acrescentou à lista mais quatro produtos: ferro elétrico tradicional, ferro a vapor e dois modelos de fritadeira elétrica. “Com o dólar se consolidando acima de R$ 5, entrou no nosso radar a fabricação local de mais produtos”, afirma o sócio-fundador da empresa, Giovanni Marins Cardoso.”

“Estratégias que estavam definidas para acontecerem nos próximos anos serão antecipadas, tanto no incremento de produção das linhas atuais, como na entrada nos novos segmentos de produtos. Faremos três anos em seis meses”, diz Giovanni M. Cardoso, co-fundador da Mondial.

Como o próprio co-fundador da empresa vem argumentando desde maio, o dólar acima dos R$5,00 estimula e torna competitivos os produtos nacionais, tanto no mercado interno, como na disputa do comércio internacional.

Porque isso acontece? Simples. Com o câmbio apreciado ou valorizado, ou seja 1 dólar valendo aproximadamente entre 1 e 2 reais, os produtos de multinacionais estrangeiras, mesmo com algumas barreiras alfandegárias, que como já disse vem sendo desmontadas cada vez mais pelo Ministério da Economia, torna-se mais vantajoso para o consumidor optar pelo produto de outra nação, pois mesmo pagando um pouco mais caro, ele terá a garantia de maior qualidade e desenvolvimento tecnológico, o que, na cabeça de quem está comprando o produto, torna-se um ativo pelo custo benefício e pela certeza da confiabilidade e duração do manufaturado.

Com o câmbio apreciado, o custo para as empresas nacionais produzirem dentro da complexa “cadeia mundial de valor”, encarece muito, além da já citada concorrência desleal em termos de comparação tecnológica e subsídios que países que são potências capitalistas dão sem pestanejar para empresas que consideram estratégicas.

O neo-liberalismo, desde 2008, já está em cheque, e vale o ditado dos países do G-8 para manutenção de seus mercados e impedir o desenvolvimento das economias emergentes: “Façam o que eu falo, mas não o que eu faço”, mantendo assim o status quo e não dando chances pra saltos consideráveis, no jargão econômico “catch up” ou superação da “Armadilha da Renda Média”.

Algo de relevante que vale ressaltar. A desvalorização cambial ainda produz um efeito positivo de ganho fiscal para o país. Como foi o caso dos quase R$600 bi acumulados pelo Banco Central através da administração das reservas cambiais.

Agora tudo isso não é o suficiente e vou deixar algumas considerações por ordem de importância:

1 – somente o câmbio desvalorizado não é o suficiente, é preciso ter uma política monetária clara e de previsibilidade para os agentes econômicos no longo prazo, ou seja, que a própria desvalorização será mantida e em patamares que sigam dando vantagens as nossas empresas. (O dólar vem valorizando nos últimos dias, é preciso frear e estabilizar esse índice macroeconômico o mais rápido possível);

2 – Somente juros baixos e câmbio apreciado não serão suficientes para dar fôlego a esses investimentos produtivos nacionais no setor privado. É necessário ter claro que uma política fiscal mais ousada e atrelada a uma Política Industrial dando suporte para setores estratégicos e que veem tendo bons desempenhos no setor privado, somados a uma alavancagem no Investimento Público e na concepção de um “Projeto Nacional de Desenvolvimento” que aglutine e aproxime Governo, Iniciativa Privada Nacional, bem como uma Academia responsável em dar assistência e comprometida em oferecer saídas para as necessidades materiais do Brasil do século XXI, serão capazes de dar solidez e robusteza a esse processo de reindustrialização no longo prazo;

3 – Revisão político/jurídica do papel do ativismo judicial, principalmente a partir do Ministério Público, que nada entendem de economia e muitas vezes atrapalham o desenvolvimento nacional com pareceres esdrúxulos e sem fundamentos. Além de cooperações internacionais para boicotar o desenvolvimento brasileiro, como foi o caso da Lava-Jato;

4 – Por último o sepultamento de discursos vagos de pseudo-revolucionários “popstars” de YouTube, vinculados geralmente ao PCB e ao PSOL, em suas rasas avaliações em redes sociais de que sem nenhuma comprovação mentem ao dizer que “não existe e não restou nada de uma burguesia nacional”. Geralmente são historiadores, que além de parecerem não terem domínio da historiografia e dos acontecimentos históricos não Brasil, oxalá poderão compreender as complexidades das revisadas teorias macroeconômicas que tem como expoentes Paul Krugman, Joseph Stiglitz, Dani Rodrik, André Lara Resende, Amarrya Sen, Robert Solow bem como, os clássicos e sempre imprescindíveis legados deixados por Keynes, Kalecki, Joan Robinson, Schumpeter, Paul Samuelson, Marshall, Ricardo, Marx e os grandes brasileiros como Celso Furtado, Inácio Rangel, Belluzzo, Bresser-Pereira, Maria Conceição Tavares, Roberto Simonsen, Delfim Neto, Carlos Lessa e tantos outros.

O desenvolvimentismo estruturalista vencerá! E novos rumos o Brasil poderá esperar! De prosperidade econômica e inclusão social!

Fontes:

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-alto-faz-mondial-investir-na-fabricacao-de-eletroportateis-no-pais,70003292388

https://www.moneytimes.com.br/com-fome-de-crescimento-mondial-compra-fabrica-da-sony-em-manaus-e-quer-ampliar-linha-de-produtos/

https://oglobo.globo.com/economia/mondial-compra-fabrica-da-japonesa-sony-em-manaus-vai-produzir-teves-24783222

https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/12/05/mondial-compra-a-fabrica-da-sony-no-am.htm

https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2020/05/18/desvalorizacao-do-cambio-da-ganho-fiscal-de-r-598-bilhoes-para-o-pais.ghtml

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