NELSON MARCONI: Que falta faz o investimento público…

Uma das motivações para a fraca recuperação da economia brasileira, como afirmo há tempos, é o declínio do investimento público no país. Além de melhorar a infraestrutura econômica e social, estimulando tanto a produtividade com o bem estar dos menos favorecidos, as assim chamadas inversões do setor público também provocam efeitos multiplicadores sobre a produção de outros setores e o emprego. Infelizmente, nos últimos anos, o alvo preferido do ajuste fiscal foram justamente esses investimentos, quando o governo deveria ter optado por reduzir outras despesas, chamadas “correntes”, vinculadas à operação do dia a dia e pagamentos em geral, incluindo os juros.

A tabela abaixo mostra que em 2017 o investimento atingiu o valor mais baixo de toda a série histórica, que tem início em 1947. Nos governos federal e estadual, o investimento correspondeu, em 2017, à metade do observado em 2010, enquanto nos municípios chegou a 1/3! (Aliás, a grande queda nos investimentos, em 2016 foi observada nos municípios; os prefeitos também descarregaram o peso do ajuste sobre os investimentos em seu primeiro ano de governo).

Taxa de investimento no setor público por Nelson Marconi

Já o período do milagre econômico, na décadas de 60 e 70, registrou as maiores taxas de investimento público. Certamente essa variável contribuiu muito para o crescimento econômico naquele período.

Hoje o governo não precisa mais investir na produção direta da siderurgia e química como naquele período. Ainda bem. Mas precisa recuperar a infraestrutura sucateada, inclusive na área social, como no saneamento básico. E, além disso, neste momento em que necessitamos recuperar a atividade produtiva e o emprego, saindo de uma crise, o investimento público teria papel fundamental, pois a demanda no setor privado ainda está oscilante e enfraquecida. Mas não é nisso que o governo parece acreditar. Vai perceber que adotou a estratégia errada nas urnas.

Por Nelson Marconi, professor e coordenador do Fórum de Economia e do Centro de Estudos do Novo Desenvolvimentismo da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.

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