O isolamento social e as Itálias do Brasil

Tem causado revolta e comoção nas redes sociais as declarações de Junior Durski, dono da rede de restaurante Madero. Ele se alinha a o outros bizarros empresários, como Roberto Justos e o Veio da Havan, críticos das medidas de isolamento social que começaram a ser implementadas no Brasil desde o último fim de semana para conter a propagação da pandemia do Coronavírus. No vídeo, Durski disse textualmente que não se pode parar a economia porque 5 ou 7 mil pessoas vão morrer. Incentivou a população a chorar seus mortos, mas não ficar em casa porque o Brasil precisa produzir e que a maioria dos Brasileiros que for infectada nem ficará doente.

Essa tese de que o contágio de 50% da população resolve o problema e fará o vírus desaparecer era defendida pela extrema-direita na Europa e nos Estados Unidos. Até que apresentaram para Donald Trump e Boris Johnson estudos que mostravam que essa postura mataria 500 mil ingleses e 5 milhões de americanos. A Itália está destroçada. A Espanha ultrapassará a Itália em número de mortos nos próximos dias. Nova York, com sua bela Manhattan, já está de joelhos.

O isolamento social e as Itálias do Brasil

No Brasil, o número de mortos dobra a cada 2 ou 3 dias, desde a semana passada. Nesse ritmo, em um semana morrerão 300. Em 15 dias, serão 2.500 mortes. O Brasil não será a Itália. Na verdade, São Paulo será a Itália. Rio de Janeiro será outra Itália. Esses 2 estados, mais o Distrito Federal, viverão as maiores tragédias de suas histórias. Mas ainda há tempo dos outros estados evitarem o pior. E só conseguirão isso adotando medidas cada vez mais rígidas de contenção e isolamento. Qualquer coisa além disso é eugenia. É defender que as mortes são mera seleção da espécie.

O mundo sairá dessa tragédia com suas economias extremamente fragilizadas dessa pandemia. Como disse Trump na quinta-feira, a “situação econômica mundial pós-pandemia não será melhor do que o cenário pós-segunda guerra mundial.” Ou seja, as principais nações do mundo precisarão sentar à mesa e promover uma enorme consertação. Sim, será necessário um novo Plano Marshall. Mas isso fica para depois. A hora, agora, é de de salvar vidas e resgatar pessoas da miséria. E amparar as pessoas. Quem defende perder algumas milhares de vidas para preservar a economia, em breve estará com as mãos sujas de sangue. E quando tudo isso passar, o lugar deles será o lixo da história.

Por Adroaldo da Cunha, Chefe de Gabinete da Liderança do PDT no Senado Federal

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