GUSTAVO CASTAÑON: O verdadeiro milagre econômico chileno

Depois da ditadura neoliberal de Pinochet, o Chile foi governado por 28 anos pelo Partido Socialista, seja em coalizão com a Democracia Cristã (na “Concertación” que durou de 1990 a 2010), seja pela coalizão de esquerda do último mandato de Bachelet, com exceção de 4 anos do neoliberal Piñera (de 2010 a 2014) no meio. Mas a “Concertación” manteve a institucionalidade neoliberal criada por Pinochet. O Chile não tem saúde pública gratuita, não tem educação pública superior, não tem previdência pública.

O que acontece é que o atual governo é neoliberal, é a volta de Piñera, que tentou aprofundar o neoliberalismo no país que já queria a instituição de previdência, saúde e educação públicas. Enganou o povo e o resultado do neoliberalismo está aí, mais uma vez, entregue. É infalível. É a maldade em forma de teoria econômica.

Enquanto durou o reino neoliberal de Sérgio de Castro no governo Pinochet, no Chile, de 1973 a 1982, a economia afundou. Em 1983, a renda per capita chilena era ainda 10% MENOR do que a que existia em 1972.

Foi só de 1983 a 1990, sob comando de desenvolvimentistas que reverteram a desregulamentação, que a ditadura Pinochet fez a renda crescer, aí sim, 33%. O milagre econômico chileno foi se livrar do neoliberalismo.

Na média, o crescimento da renda per capita no Chile durante a ditadura foi de medíocres 1,6% (devidos inteiramente ao período sem os neoliberais). Já o crescimento anualizado do PIB real per capita no Chile nos 17 anos posteriores a Pinochet (1990-2007), de governo social democrata, foi de cerca de 4,4%.

Foi a social democracia chilena que pilotou o verdadeiro milagre econômico do Chile.

No entanto ela não reverteu a institucionalidade neoliberal que Pinochet deixou no país. Não existe saúde pública gratuita, educação pública superior ou previdência pública no Chile. E quando o neoliberal Piñera depois de assumir em março de 2018 quis retomar o neoliberalismo, o caldeirão explodiu.

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