UALLACE MOREIRA: O Modelo de Desenvolvimento Nacional no Governo Vargas

Getúlio Vargas governou o Brasil entre 1930-1945 e depois entre 1951-1954.

Vejamos alguns indicadores do seu governo.

Se pegarmos o período de 1930 a 1945, Vargas teve uma taxa média de crescimento de 4,0%. É importante lembrar que nesse período o Governo Vargas enfrentou as consequências da crise de 1929 e os impactos da 2º Guerra Mundial.

Impressiona a forte recuperação pós crise de 1929, com taxa de crescimento que chegou até mesmo a 12,1% em 1936 e 8,5% em 1943.

Uma das características era a busca pela industrialização do país. Com isso, vejam que a taxa média de crescimento da indústria é maior do que da agropecuária. A indústria teve uma taxa média de crescimento de 6,3%, enquanto a agropecuária teve uma média de 2,2%

Outra variável interessante é o crescimento da taxa de investimento como proporção do PIB. Vejamos que depois de 1930, a taxa de investimento apresenta um crescimento contínuo, chegando a 13,8%, seu maior pico. Com a crise da 2º Guerra Mundial, ela começa a apresentar queda.

A pauta exportadora brasileira era altamente concentrada em produtos agrícolas, princialmente o café. Mas já ficando em evidência a perda de participação do café e declínio do açúcar.

A fase de 1951-1954 é marcada pela criação da Petrobrás (1953) e do BNDE (1953), atualmente conhecido como BNDES. Além do mais, o suicídio do Getúlio, resultado de um cenário político delicado, com a imprensa e a direita, representada por Carlos Lacerda na oposição.

Mesmo diante da crise, a taxa média de crescimento desse período de Getúlio foi de 6,7%, resultado das políticas de crescimento e industrialização do país.

Mais uma vez, será a indústria de transformação que irá liderar o crescimento do país, com uma taxa média de crescimento de 8,4% para o período de 1950 a 1954.

A taxa de investimento como proporção do PIB também apresenta significativo crescimento, saindo de 12,8% em 1950 para 15,8% em 1954. Esse crescimento da taxa de investimento é resultado das políticas de estímulos à industrialização do país.

Vejam que com o elevado crescimento da indústria, ela começa a aumentar muito sua participação como proporção do PIB, saindo de 19,3% em 1950 para 20,8%. Enquanto isso, a agropecuária ainda mantém sua participação em torno de 25%. Mas com o tempo, vai reduzindo.

Nesse período, muitos irão acusar Getúlio de elevar o nível de inflação no país com as políticas de desenvolvimento. A inflação sai de 12,7% em 1952 e vai para 20,5% em 1953. O motivo do crescimento da inflação gera um amplo debate, pois tinham elementos estruturais.

Em uma tentativa de aglutinar a classe trabalhadora em seu apoio no início da crise, Getúlio adotou uma Política de elevação do salário mínimo em 100%:

Uma das problemáticas que temos nesse período, e que persiste até hoje, é o sistema tributário regressivo no Brasil, com elevação da carga tributária, principalmente sustentada em tributos indiretos com participação de 9,92% em 1952 e os tributos diretos em apenas 5,48%.

Por Uallace Moreira, mestre e doutor em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da UNICAMP e  professor da Faculdade de Economia da UFBA.

1 Comentário

  • No documentário “Vargas, a grande transformação do Brasil”, que tive a sorte de dirigir, o Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, comentando a habilidade e a inteligência da política externa de Getúlio, revelou que os EUA pressionaram para manter o controle das base militares no Nordeste brasileiro, mas Vargas repeliu a pressão “Senão, teríamos uma Guantânamo no Brasil!”, declarou

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