Do desenvolvimento à igualdade. Ou: por um nacionalismo popular

O Brasil hoje é um país machucado, com 13 milhões de desempregados, 37 milhões trabalhando na informalidade, 60 mil homicídios anualmente, com milhares de desaparecidos, contingente enorme de pessoas abaixo da linha da pobreza extrema, sem perspectiva, morando nas ruas ou em casebres.

Desses fatos se concluem duas coisas cuja resolução é premente: que há muita pobreza e desigualdade. Mas a nossa desigualdade, nosso brutal sistema de concentração de renda, não explica de per si a miséria. O Brasil é um país de baixa produtividade em processo de desindustrialização. Precisamos transformar o nosso capitalismo: de um capitalismo periférico, subordinado, voltado para a mera exportação de commodities de baixo valor agregado, rumo a um capitalismo forte, potente, gerador de riqueza, industrializado, de alta tecnologia e desenvolvimento. Direcionado para as necessidades da nossa gente.

Há uma resposta prática e teórica para esse dilema, que é o nacional-desenvolvimentismo. Mas como colocá-lo em marcha? E como redirecionar nosso País para o crescimento econômico, a prosperidade e a igualdade? Isso vai além do lado puramente econômico. É conditio sine qua non desarmarmos a bomba que hoje divide o Brasil: o antipetismo e o identitarismo (seja moral ou partidário). É preciso repactuar o Brasil e mostrar que todos somos filhos da mesma pátria e que só unidos e trabalhando juntos, em prol de um ideal, vamos avançar.

O nacionalismo deve nos guiar. É nossa bandeira, é nossa ideologia, são nossas convicções. Mas que nacionalismo? Um nacionalismo popular, trabalhista, que valorize nosso povo, nossas heranças, nossa diversidade, nossa riqueza natural e cultural. O brasileiro é um povo bom, que tem por base a moral cristã, e nela há de defendermos as características que reafirmam aquilo que unem a todos: o amor ao próximo, a caridade e a defesa dos que mais precisam, os pobres. Essa é a nossa orientação moral.

A partir disso temos de empreender a proteção segundo o cristianismo dos valores humanos que hoje são atacados e vilipendiados em favor de concepções dinheiristas e que priorizam o bem material. É na cultura, no amor, nas amizades e no trabalho que devem estar nossas realizações. É preciso que o dinheiro e o consumo deixem de ser o instrumento que intermedeie nossas relações. Em seu lugar é necessário o enaltecimento do trabalho e daqueles que constroem o Brasil: o pedreiro, o bombeiro, o policial, o professor, o médico, o padeiro, o motorista de ônibus, o trabalhador.

É fundamental orientar novamente a vida para a coexistência em comunidade e combater a moral neoliberal, voltada para o egoísmo. Essa moral e essa forma de organização social típica das sociedades capitalistas modernas que trazem a violência, o ódio e a intolerância para o seio familiar e que são responsáveis pelas grandes enfermidades modernas: diante da frustração com a perspectiva de padrões de consumo inalcançáveis e o isolamento social, a chaga da depressão, da ansiedade e do suicídio.

Essas são as concepções que devem nos nortear para a construção de um Brasil melhor e a reafirmação de uma identidade nacional fraterna, alegre, pautada na defesa da diversidade, das múltiplas religiões, crenças, credos, das formas de amar e existir, mas sempre desembocando numa noção, a mais importante delas: a igualdade. Num Brasil em que todos possam ter uma vida digna, com saúde, segurança, educação, moradia e, claro, trabalho.

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