Paulo Guedes vende terreno no céu para o PIB manter o apoio ao diabo

Balança, mas não cai. O balanço dos 500 dias de governo Bolsonaro teve a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes; da ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves; do ministro-chefe da Casa Civil, Braga Netto, e do ministro da Secretaria de Governo da Presidência, Luiz Eduardo Ramos. Em dia de demissão de mais um ministro da Saúde no auge da maior crise sanitária do século, Bolsonaro preferiu transmitir nas redes uma breve encenação diante meia dúzia de prostrados que, em frente ao Palácio do Planalto, mugiram o hino nacional.

A situação resume bem um governo que chega ao seu quingentésimo dia grogue: o presidente governa para as redes enquanto ministros, dois militares, uma fanática e um terceirizado do PIB, desgovernam para a televisão. Assim, o balanço ficou por conta do tripé que ainda sustenta um governo capenga: as armas, os nazificados e o PIB. O dinheiro não tem tempo para a dicção miserável dos generais nem para o xaveco da Damares, então coube a Guedes mostrar que o governo não está acéfalo. Ou seja, o pão falta, mas ainda sustenta o excesso de circo.

E o que era pra ser uma prestação de contas se tornou uma distribuição de promessas, inclusive de pacificação política, com direito à “aliança programática com o centro democrático”. Guedes parecia o pastor Valdemiro vendendo feijão de cura para o coronavírus. Mas enquanto o pastor quer dinheiro, o dinheiro quer tempo. Tempo é igual à extorsão via reformas. Por isso, Guedes desautorizou de forma humilhante o PAC dos milicos publicamente. Mandou um recado do tipo: antes eu, amansando o bicho, avançando privatizações, retirando de direitos dos trabalhadores (carteira verde e amarela) e asfixiando o funcionalismo público, do que Mourão e os dinossauros outorgando o Pró-Brasil.

Foi aquele discurso para fazer dinheiro e governo andarem rentes. Assim, os parasitas, servidores públicos, devem dar sua contribuição patriótica e não “podem saquear o Brasil na hora em que ele cai”, portanto, o Congresso deve respeitar o veto (ainda inexistente) do presidente a reajustes (concedidos pela articulação do governo no legislativo). A carteira verde e amarela deverá gerar milhões de empregos, tirando o peso do Estado das costas do empresário. As privatizações da Eletrobrás e Petrobrás ou, na novilíngua, o desinvestimento do setor elétrico e de petróleo, irá trazer bilhões de dólares. Reforma tributária, controle dos gastos, concessões, marco do saneamento e investimento em infraestrutura, como sementes daquele feijão mágico de Valdemiro ou Adolfo Sachsida, completam as diretrizes da retomada em V.

Uma coisa não se pode negar. Ao reivindicar a autoria do extermínio do paraíso dos rentistas, com a baixa histórica dos juros, Guedes fustiga, com razão, a prodigalidade aos verdadeiros parasitas conferidas pelo reino PTucano. Guedes também criticou a real desindustrialização do país e a persistente existência de privilégios, pingando gotas de realidade na bacia de interdições ideológicas que seduzem o dinheiro, que, se julgando muito esperto, continua muito enganado.

Na direção de um governo que acelera para a autodestruição, Bolsonaro resolveu, no balanço de 500 dias sem cair, passar o volante para Guedes acenar aos endinheirados, que mostraram que o que interessa mesmo é a vida dos CNPJs. O diabo é que o presidente gosta de dirigir. E quanto mais dirige, mais colisão, e o PIB precisa manter as aparências. Aliás, dizem que Bolsonaro só entregou o volante enquanto saboreia o churrasquinho de Sério Moro preparado por Augusto Aras.

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