Petrobras: governança republicana ou governança corporativa?

Atravessando a Ponte para o Futuro, você lê num outdoor: a Petrobras não é uma empresa estratégica na gestão da política energética e econômica do país; combustível não é um produto especial e o seu preço é igual a qualquer outro. É mercado. Empresa tem que dar lucro, acima de tudo. Empresa estatal é empresa, quem não entende isso não entende de governança corporativa. Governança corporativa, governança corporativa, governança corporativa. Acima da Presidência da República e do Ministério de Minas e Energia está a CVM e a Securities and Exchange Commission. Respeito ao acionista minoritário, por favor. Dobremos o preço do botijão de gás. É mercado.

No meio da travessia, depois de um intensivão de realpolitik, o posseiro da pinguela edita três Medida Provisórias, e assim o governo federal:
1. mete o dedo na administração estadual e municipal dos transportes;
2. inventa um tabelamento de preço (do frete rodoviário); e
3. cria uma reservinha de mercado (para caminhoneiros autônomos nos serviços de transporte da CONAB, estatal federal).

Tudo meio inconstitucional, meio démodé, meio dilmismo vulgar em matéria de intervenção em mercados. Tudo meio incerto, porque não sabido se acatado pelos caminhoneiros (quem, hoje, confia no posseiro e no angorá que responde emudecido pelas Minas e Energia?).

Em meio a tudo isso, espero que o presidente da Petrobras tenha tempo para se dedicar ao seu outro emprego, na presidência do conselho de administração da BRF (se a Petrobras tem uma boa governança corporativa, roda sozinha, dá pra fazer um part-time onde pagam bem, né não?).

Por mais governança republicana na empresa mais importante da nossa economia (e não, governança republicana não é só combater a corrupção, para isso as regrinhas de governança corporativa bastam).

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